domingo, 27 de dezembro de 2009

Deixa pra mais tarde

Eu escreveria mais agora.

Se não estivesse tão cansada. Se o suor não estivesse me incomodando tanto. Se o sol já não estivesse tão claro. Se você não fosse chegar em algumas horas.

Eu escreveria mais. Porque tenho muitas coisas a escrever...

eu sempre tenho.

Quando será que vou ver o sol nascer assim outra vez?

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Uma carta [2]

Olá minha Flor!

Há quanto tempo que não te escrevo algumas palavras... Não que eu tenha me esquecido de você, nem que tenha andado tão ocupada que não encontre alguns instantes antes de dormir (como agora) para rascunhar frases soltas que te contem um pouco de mim. Sei que gosta de receber notícias e confesso que gosto de contá-las. Meu silêncio se prolongou dessa vez para que se acumulassem acontecimentos relevantes. Coisas das quais vale a pena escrever. Durante um período, minha vida ficou como um banho morno. Mas não se preocupe, minhas inquietações nunca cessam por completo, de modo que cá estou, com uma pilha de notícias e comentários a fazer do que tem se passado.

A primeira delas, e provavelmente a mais importante, trata de uma descoberta - ou de uma redescoberta - um tanto banal: Que beleza é estar apaixonada! E que bom saber que você estava certa, quando dizia que tudo era uma questão de aproveitar os encontros, de se deixar envolver pelos cheiros, pelos gostos.

E como é linda a mulher que eu amo, Flor! Que me faz diariamente pensar em ser melhor, sempre melhor do que ontem. Que me faz diariamente me encontrar comigo. Com meus medos, meus anseios, minhas angústias e minhas ansiedades. Encarando-os nos olhos, subvertendo-os, superando-os, ou caindo aos seus pés como uma criança desamparada, fazendo tempestades em copo d'água, aumentando a dor que se espera, para que na hora em que ela chegar, seja um tanto mais branda do que se imaginou.

Ah, Flor! E como é bom se sentir feliz com pouco. Como é bom encontrar tanta coisa em um abraço. Como é bom saber de um cheiro, de um gosto, de um colo e de um sorriso, nas madrugadas chuvosas ou nos domingos de sol a pino.

Dois mil e nove é ano de Iansã, Flor. A rainha dos raios e das tempestades. Minha mãe. Minha guia. O orixá que abre todos os meus caminhos, que me protege, que me guarda. Dois mil e nove é o ano da minha mãe Iansã. Muita chuva ainda. De agora ao último dia do ano. Lavando o mundo. Rainha dos raios e das tempestades. Ainda vem muita chuva, Flor. Não se esqueça da janela aberta, nem de tirar os aparelhos da tomada. Diz pra sua mãe ter cuidado com os meninos, nos dias em que o rio estiver cheio.

A segunda notícia, Flor, é que eu consegui um emprego. Vou embora mais uma vez. E dessa vez não é só meu pequeno que fica, fica também a mulher que eu amo. Ficam meus amigos mais próximos, ficam meus irmãos. Vou eu. Vou eu me recolhendo novamente às minhas coisinhas. Vou eu tocando em frente essa vida que é só minha. Mesmo que eu teime em doar pedacinhos dela aos que eu amo. Mesmo que eu teime em dividir ela ao meio, entre o meu pequeno e a mulher que eu amo. Mesmo que eu não desista de dedicar parte dela a pessoas que mal conheço, numa loucura de diminuir essa culpa de coisas ruins que acontecem todos os dias e que nós colaboramos, de olhos vendados, em troca de pequenos prazeres tão mesquinhos.

Ah minha Flor...tenho pensado em você. Outro dia mesmo senti seu cheiro dentro de uma lanchonete. O lugar estava cheio e eu não conseguia identificar de onde vinha. E por uma fração de minuto eu pensei que poderia ser você. Eu quis que fosse você. Com seus olhos doces e seu abraço apertado. Mesmo sabendo que você não estaria ali. Ah Flor... se ao menos eu soubesse por onde você anda, o que anda fazendo, que livros está lendo, a quais filmes tem assistido... se ao menos eu pudesse ouvir sua voz, me dizendo para ter calma, que aos poucos as coisas entram no lugar. Que as coisas sempre entram no lugar. Sabe, Flor, a mulher que eu amo se parece muito com você nisso. Só a presença dela, só o olhar, só o inclinar a cabeça me chamando para perto, me dizendo que não há nada demais em se ter dúvidas, que não há problemas em não se saber para onde ir... Talvez vocês se conheçam um dia. A minha Flor e o meu Golfinho. Meus apoios na emoção e na razão. Talvez um dia.

A terceira notícia é sobre o meu pequeno. É também uma descoberta um tanto banal: Ele cresceu. Não tudo que ainda pode, nem o suficiente para deixar de ser uma criança. Mas, a cada dia que passa, ele se parece mais com o homem que um dia vai ser. Meu pequeno, em meio as suas dúvidas e questionamentos tão próprios a um menino de oito anos, nos dá provas diárias de uma sabedoria que não cansa de nos surpreender. Leveza e sagacidade mescladas com uma maneira um tanto peculiar de ver o mundo.

É Flor, os anos estão passando. O que será que você tem feito? Como estarão os nossos? A que velocidade andarão pulsando as coisas por aí?

Sinto falta de suas cartas, dentre tantas outras coisas que me tomam como nostalgias precoces a uma menina de vinte e cinco anos. Escreva-me quendo lhe sobrarem horas antes de dormir. Ou quando sentir minha presença por aí.

Estarei esperando notícias.
Cuide-se sempre.

sábado, 5 de dezembro de 2009

No próprio silêncio

"É preciso ter a capacidade de discernir, naquilo que percebemos como ficção, o núcleo duro do real que só temos condições de suportar se o transformamos em ficção." (Slavoj Zizek)

Terapia pra ajudar a suportar, literatura pra ajudar a expressar, e o núcleo duro jogado na cara, no ombro, nas costas. Tem coisas que eu deveria escrever, mas ainda não consigo.



Um dia ainda edito as cartas que eu não mando.


"e eu me visto de saudades
do que já não somos nós"
(Leoni)

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Que ironia a nossa, hein?

Mas é sempre bom com você. Tudo. O ar, o vento, a água, o sol se pondo por detrás das árvores. É sempre bom com você o almoço, a cerveja e a conversa. É sempre bom o carinho, o colo, a mão, os lábios, os pés. É sempre bom seu calor, seu sorriso, sua voz, seus suspiros. E me faz um bem, me trás um bem, que eu não conhecia. E me deixa assim, quando eu penso que só vou ter isso a cada quinze dias. E dói. E eu choro. E dói ainda mais quando quem chora é você. Mas eu me sinto bem estando aqui. E aproveito enquanto meu ombro estiver do seu lado, pra te deixar chorar quando der vontade. Porque eu sempre choro quando me dá vontade também. Um choro que não é de tristeza, nem de alegria. Um choro de pesar por saber que a vida é sempre assim, cheia de ironias. E que ironia a nossa, hein?

E vamos tentando nos apegar a tudo que essa mudança pode nos trazer de bom. A qualquer detalhe que a distância possa melhorar. E vamos tentando imaginar como serão esses dias e tentando fazer planos pra que tudo doa menos, maltrate menos, pese menos. Porque não ir por você é um peso muito grande pra gente. Ir e te deixar aqui pode ser um peso muito grande pra mim. E de tudo que pode ser menos ou mais, de tudo que pode doer mais ou menos lá na frente, a gente vai escolhendo o caminho do meio. A gente sempre escolheu o caminho do meio, e eu descobri que essa calma, essa tranquilidade, essa voz baixinha, são resultado de muito pensar e pesar o que vale a pena. O que eu sei agora é que você me vale a pena. Muito. Cada dia mais.

E eu vou guardando esse cheiro, esse sorriso, esse olhar, como fotografias na minha cabeça. Pra poder sempre me lembrar deles, quando sua presença não for possível.

Quando eu tinha onze anos e li pela primeira vez o manifesto comunista, comecei a pensar como que uma vida com maior desapego ao dinheiro poderia ser uma vida mais tranquila, mais paz e amor e menos trapaças. Ingenuidades de criança que me voltam a cabeça quando eu penso que pode parecer muita utopia, muito discurso furado, mas que eu preferia não precisar de nada disso. Esse negócio de crescer dá muito trabalho.

sábado, 7 de novembro de 2009

A peça que encaixa

Borboleta, desculpa a felicidade que me escapa o tempo todo ( se é que se deve pedir desculpas a alguém por ser feliz...), mas vou te responder com outra música da própria Vanessa da Mata. Música daquelas que você ouve um bocado de vezes e nunca percebe muito bem a letra. Um dia me deparei com ela por acaso, dentro do carro. Voltei, ouvi mais uma vez e descobri o quanto ela faz sentido pra mim agora.

Sabe, você tá certa. Eu preciso parar de achar que não devo sentir certas coisas que eu simplesmente sinto.

Como diria nosso amigo Di: "Dá pra ser feliz."

Eu tenho sido. Cada dia mais.

Ainda Bem
(Vanessa da Mata/ Liminha)

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Nos dias frios em que nós estamos juntos
Nos abraçamos sob o nosso conforto
De amar, de amar

Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Ainda bem
Que você vive comigo
Porque senão
Como seria esta vida?
Sei lá, sei lá
Se há dores tudo fica mais fácil
Seu rosto silencia e faz parar
As flores que me manda são fato
Do nosso cuidado e entrega
Meus beijos sem os seus não dariam
Os dias chegariam sem paixão
Meu corpo sem o seu uma parte
Seria o acaso e não sorte

Nesse mundo de tantos anos
Entre tantos séculos
Que sorte a nossa hein?
Entre tantas paixões
Nosso encontro
Nós dois, esse amor.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Aurélio me disse [2]

Saudade

s.f. Recordação suave e melancólica de pessoa ausente, local ou coisa distante, que se deseja voltar a ver ou possuir. / Nostalgia.

É tão difícil estar aqui sem você...

Dormi por cima de livros e acordei percebendo como é muito mais fácil quando eu sei que você vai chegar a qualquer momento, quando eu posso te ligar pra saber quanto tempo falta pra te ver...

Agora, falta mais de uma semana. Falta você no tapete da sala. Falta seu carinho, seu cheiro e sua voz.

E só faz um dia que você foi embora.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Descobrir uma cachoeira

Tudo melhor a cada dia. Tudo mais e maior a cada dia que passa. Em um infinito de pequenas coisas que se tornam tão importantes. Em espaços e tempos que a gente anda sabendo bem quais são. Os dias vão passando devagar, deixando que tudo aconteça nessa calma que eu já estou aprendendo a me acostumar e que me faz tão bem. Nessa voz baixinha, nesse olhar calminho, nesse cuidado para que tudo seja perfeito. Perfeito por acontecer assim, tão naturalmente. Porque desde o dia que você sentou naquele balcão, o meu relógio parou de correr de pressa. Meus planos parecem mais reais, minhas possibilidades parecem mais plausíveis, minhas qualidades parecem maiores que meus defeitos. E receber o seu sorriso e o seu bom dia, mesmo depois de tão poucas horas de sono, me faz um bem enorme. Um bem que ninguém vai conseguir me tirar. O que se constrói em nós a cada dia não se interrompe com um telefonema. Porque tudo isso que eu pensava que não iria mais sentir, tudo que eu cheguei a acreditar que não existia, começa a fazer todo sentido quando você me leva para conhecer uma cachoeira no meio da cidade, quando eu deito no seu colo e a tarde pára. Quando o sol vai embora devagar e fica o cheiro da mata, o som da água caindo, o pólen entrando pela janela do carro. E ficam os sonhos, os planos, as expectativas que eu vou gradativamente perdendo o medo de criar. E fica você, no seu cheiro, no seu gosto, no carinho que me faz derreter. Fica você na sensação de que tudo pode dar certo. Porque para tudo que não der, tem remédio. Porque quando não há segredos nem mentiras, nem omissões nem outros desejos, uma boa conversa deixa tudo na mesma serenidade de sempre. A paz que eu sinto do seu lado é uma paz que eu nunca tinha sentido acompanhada. E em cada pedacinho de dia, em cada pedacinho da minha vida vai te cabendo melhor. Vai nos cabendo melhor no mundo. Porque te cabe entre fliperamas e sorvetes derretidos, entre cervejas e amigos, entre o quarto e a sala. Te cabe muito bem em mim. Também vou sentir saudades nos dias que você estiver distante. Mas dizem que saudade não mata e até faz bem. E disso tudo que vem acontecendo desde o início da primavera, o melhor é sentir o que me volta. No seu olhar, no seu sussurro no escuro do quarto. “Calma, que tudo que você está sentindo é recíproco”. Que sorte a nossa, hein?


Obs: É Borboleta...eu também tenho bons sentimentos dessa fase da minha vida.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tudo que cabe num silêncio

Uma tarde pra passear sozinha. Uma barca pra lembrar de quando tudo isso era corriqueiro. Um almoço pra partir o dia ao meio. Um sorriso congelado em uma fotografia. Um vôo rasante de uma gaivota. Uma nostalgia de coisa que nem faz tanto tempo assim. Uma vontade de guardar o cheiro. Abrir um pacotinho e botar tudo dentro. O gosto do mate. O cheiro do verde de Santa Teresa. O barulho do bondinho chegando. As cores das marionetes penduradas atrás do balcão. A calma de uma boa conversa. O rastro que fica na Baia de Guanabara quando o Rio vai ficando pra trás e Niterói vai chegando mais perto. O silêncio de uma praça no canto da praia. A conversa com um amigo que me deixa pensando por horas a fio. A sutileza de um olhar, a beleza de um gesto de gentileza. E nessas horas tudo faz mais sentido. "Isso da solidão...é um tema interessante". A solidão que se impõe. A solidão que se conquista. E nessas horas tudo vem de outro jeito. E me vem o seu olhar, o seu sorriso. A covinha que se abre no seu rosto quando você fica sem graça por algum motivo. Vem o cheiro, o gosto, a voz e as palavras. E tudo isso vai se encaixando. Se encaixando no mundinho que eu vou construindo dia a dia. Se encaixando cada vez mais na minha vida. E você vai entrando nela, em momentos que são só meus. Vai entrando devagar em coisas que você ainda nem sabe. E me vem um sorriso bobo no rosto quando eu penso que em tudo isso te cabe muito bem. Que te cabe muito bem na minha vida.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fim de Semana

Apito de trem. Sino de Igreja. Cachorro chorando. Divã. Cama de casal. Lençol rosa. Golfinho. Cortina rosa. 14 Bis. Chocolate meio amargo. Batata recheada. Compras no supermercado. Ades de maça e suco de uva. Ades de uva e suco de maçã. Almoço na roça. Profiterólis. Filme que faz chorar. Cerveja com amigos que faz sorrir. Palavras sussurradas. Vanessa da Mata. Olhos dengosos demais. Beijo molhado. Beijo salgado. Gosto de pasta de dente. Abraço apertado. Conchinha pra dormir. Acordar no meio da madrugada só pra conversar. Voltar a dormir de manhã. Macaquinho abraçando pneu. Amauri. Zigmat. Ilegais. Troller. Fusca vermelho. Passar no shopping só pra gastar dois reais. Horas que voam. Tempo que não se perde. Colo. Carinho. Cheiro. Gosto. Cor. Suor. Pele. Tudo que me faz pensar em você em todo momento. Tudo que me faz ter um fim de semana perfeito. Tudo que você me tem feito. Tudo que isso tudo junto me faz sentir. Tudo que isso tudo junto me faz feliz. “Desse jeito vão saber de nós dois”...


"É só pensar em você
Que muda o dia
Minha alegria dá prá ver
Não dá prá esconder
Nem quero pensar
Se é certo querer
O que vou lhe dizer
Um beijo seu e eu vou só
Pensar em você
Se a chuva cai
E o sol não sai
Penso em você
Vontade de viver mais
E em paz com o mundo
E comigo
E consigo"
(Chico César)

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Coisas que passam a fazer sentido

Ilegais

(Vanessa da Mata)


Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa vida
E será uma maldade veloz
Malignas línguas
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Ilegais

Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu quero você
Dentro de mim
Eu quero você
Em cima de mim
Eu quero você

Desse jeito vão saber de nós dois
Dessa nossa farra
E será uma maldade voraz
Pura hipocrisia
Nossos corpos não conseguem ter paz
Em uma distância
Nossos olhos são dengosos demais
Que não se consolam, clamam fugazes
Olhos que se entregam
Olhos ilegais

Eu só sei que eu quero você
Pertinho de mim
Eu quero você
Dentro de mim
Eu quero você
Em cima de mim
Eu quero você

sábado, 10 de outubro de 2009

I do

- Você acha que ela está apaixonada?
- Uhum...
- E você?
- Eu gosto dela...
- Gosta só? Você tinha que ver como seus olhinhos brilham quando você fala dela.

E uma saudade imensa que tava me apertando aqui dentro. E um espaço imenso que passou a ocupar nos meus pensamentos. E um carinho imenso que passou a acompanhar tudo isso que eu penso.

Dá medo. Um medo de criança que já caiu uma vez, mas não desiste de tentar subir na árvore. Dá medo de cair. Porque nessa fase, a gente já sabe que dói e já começa a perceber que aquele instante do "para agora ou vai em frente" acabou de passar, enquanto a gente vai, indo sem pressa, tomando cuidado, comigo e com você.

E me assusta. Assusta pensar nessa coisa de alguém completamente novo na sua vida passar a fazer tanta diferença.

Mas, dessa vez, sem se acovardar. Sem deixar que o medo anule o que há de melhor. Sem deixar que o susto sobressaia às coisas boas que têm acontecido nas últimas semanas.

- Eu me apaixonei por você.
- Que bom, porque se eu gostasse sozinha ia doer.

O medo que dá é perceber que agora tem coisas que já podem fazer doer.

A satisfação que dá é perceber que agora tem coisas que fazem todo sentido. E é bom demais que os sentimentos sejam recíprocos.

O Manual da Camilinha ainda precisa de muitas páginas. Mas com o tempo você completa as regras. Meus amigos são ótimos pra isso. Tenho certeza que vão acabar te dando uma forcinha. Se prepara que agora tem uma família inteira pra você conhecer. E a aprovação deles é mega importante.

Você quer saber se eu quero e eu quero saber se já sou.


"Não tem mal, nem maldição
não tem sereno no meu dia
Não tem sombra e assombração
Não tem disputa por folia
Tem bola de capotão, capitão capture essa menina
Tem saudade e saudação
Tem uma parte que não tinha...
parte que não tinha... parte que não tinha..."
( O Teatro Mágico)

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

O que me basta

O Anjo mais velho

"O dia mente a cor da noite
E o diamante a cor dos olhos
Os olhos mentem dia e noite a dor da gente"

Enquanto houver você do outro lado
Aqui do outro eu consigo me orientar
A cena repete a cena se inverte
Enchendo a minh'alma d'aquilo que outrora eu deixei de acreditar

Tua palavra, tua história
Tua verdade fazendo escola
E tua ausência fazendo silêncio em todo lugar

Metade de mim
Agora é assim
De um lado a poesia, o verbo, a saudade
Do outro a luta, a força e a coragem pra chegar no fim
E o fim é belo incerto... depende de como você vê
O novo, o credo, a fé que você deposita em você e só

Só enquanto eu respirar
Vou me lembrar de você
Só enquanto eu respirar

(Fernando Anitelli - O Teatro Mágico)


Dores musculares em todo o corpo, um restinho de voz de pilha acabando, uma alegria imensa que não pára de voltar. Tô sem forças pra escrever tudo o que eu passei, mas com um baita orgulho de saber escolher as pessoas que me rodeiam. Meus amigos são os melhores do mundo!

PS: Caí em prantos quando essa música começou. Por tudo que ela me remete, por saber que o show tava acabando, por chegar na exaustão das minhas emoções. Excepcional. Sem mais.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Aurélio me disse


Surpresa
s.f. Ato ou efeito de surpreender ou de ser surpreendido. / Espanto, sobressalto, perturbação: causou grande surpresa. / Prazer inesperado, presente: fazer uma surpresa a alguém no dia de seu aniversário. // &151; loc. adv. De surpresa, de improviso, inesperadamente.

Quando

- Aquele domingo...eu achei que você fosse terminar. Senti você diferente.
- Porque eu ia.
- E o quê te fez voltar atrás?
- Você.


Quando num abraço cabem mil palavras, quando num sorriso cabem mil pedacinhos de alegria, quando a saudade começa a bater cinco minutos depois de ter dado tchau, quando algumas atitudes começam a mudar sem que eu precise fazer qualquer esforço, quando um encontro que me tiraria do sério passa a não fazer nenhum efeito, quando uma voz me deixa mais calma do que qualquer floral ou glóbulo de camomila, quando você apareceu e se tornou uma das melhores coisas do meu ano, eu começo a perceber que posso escolher que lugar ocupar nas minhas próprias histórias.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Salvar Rascunho

Tantas formas de se magoar. Tanta coisa depois de coisa alguma fazer sentido. Papéis devem ficar mais bonitos picados do que jogados no fundo do armário. Mas pra cada coisa o seu lugar e um lugar pra cada coisa.

Saber virar a página não é nenhum dom de outro mundo, afinal, é só saber a hora de parar.

Sabe o que é muito bom descobrir? Que depois de curar um amor, viver uma relação desencontrada, tentar novas experiências e se apaixonar enlouquecidamente; quando a gente menos espera, senta alguém no balcão e diz que só vai sair dali quando te levar junto. E leva. E tá levando. E é bem capaz de ainda levar por muito tempo. Num caminho cheio de carinho, tranquilidade e compreensão.

Numa voz baixinha e num sorriso gostoso. Num cheiro, num gosto, numa cor de fim de tarde, numa trilha sonora de vozes femininas se revezando no aparelho de som. Num aconchego de colo, de canto, de abraço que não dá vontade de largar.

E que me faz me arrepender de atitudes impulsivas, de beijos doados sem carinho nem tesão.

Fidelidade é uma coisa que se constrói - me disseram um dia.

Confiança é coisa que se conquista - e isso eu aprendi sozinha.

"Muito bom saber que a gente está na mesma sintonia".

Talvez o segredo seja esse. A sintonia.


"É um brilho diferente nos olhos. Um pulsar acelerado incontrolável". (C. Damasceno)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Tantas formas de se magoar

"Desculpa o que eu fiz. Só queria te magoar como você me magoou quando escreveu aquelas coisas".

E eu acreditei, e desculpei e até entendi e passei a pensar um pouco mais antes de escolher certas palavras. Porque abrir a vida na internet, permite que muita gente entenda uma coisa, quando se quer dizer outra.

"Não achei que eu fosse capaz de magoar alguém que não gosta de mim".


Terminou sem acabar...e acabou.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Papéis picados

Eh Borboleta, quem te disse que ia ser fácil?

Me disseram certa vez que o segredo é saber a hora de parar.

Parar dói, mas insistir numa situação que não tem como ir adiante pode doer ainda mais, mais pra frente.

Muita gente se assusta com a velocidade com que eu saio de uma relação e entro em outra. Isso acontece às vezes. Não porque eu não saiba ficar sozinha ou porque cure carências usando as pessoas (como tem muita gente fazendo por aí). A questão é que, por mais que a gente se envolva, se apaixone, fique de quatro, tem sempre um momento em que dá pra parar. Dali em diante, ou você está arriscando tudo em algo completamente novo, ou se guarda e deixa que passe.

Não que as coisas passem assim, de um dia pro outro. Tem tons de voz que ainda me balançam, sorrisos e olhares também. Tem até carinho na nuca que eu não posso pressentir chegar, porque me derreto mesmo sem acontecer, como uma criança que pressente sentir cócegas e já cai na gargalhada antes mesmo que alguém a toque.

É assim. Certas coisas se sobrepõem, é bem verdade, mas outras ficam. E vão ficar pra sempre. Mesmo que se joguem todos os papéis picados na lixeira.

Não é fácil tirar alguém da nossa vida. E a gente pode até optar por não deixar a pessoa ir, mas certas coisas mudam e não voltam a ser iguais, nunca mais.

Pessoas especiais não deviam partir e a distância necessária pra que tudo fique bem pode ser estabelecida sem que se perca o contato.

Pensa nisso.

Eu ganhei pessoas muito especiais nos últimos meses. Não vou deixar elas pertirem assim. Não quero que elas saiam da minha vida. É só sentir a distância necessária para que certas coisas não façam doer.

E segue adiante, que o tempo urge!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Coisas que padres dizem por aí



Nada a ver com as coisas que costumam ser publicadas aqui, mas vale a pena ler (e repassar a quem for preciso).


http://twitpic.com/itpjv/full

terça-feira, 22 de setembro de 2009

espíritos livres

Delicioso hobby esse que chamam seduzir!

Eu te seduzo, tu me seduz, nós seduzimos mais outros e outras e assim, num fluxo interminável de personalidades apaixonantes, nos envolvemos, nos cruzamos, nos transamos, nos encontrando e desencontrando num emaranhado de teia de aranha.

É Mário... algo além haveria de nos ligar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Nosa Senhora da Solidão

"Uma dessas pessoas que pareciam viver só pelos sentidos. Uma inocente. Que transitava pela vida dos outros, quebrando seus moldes, seduzindo, mas sempre acabava partindo. Talvez seja verdade, afinal, que corre sangue cigano em suas veias. Faca de dois gumes, sem dúvida, pois graças a isso, Santiago Blanco se apaixonou, mas justamente por isso nunca largou tudo por causa dela. Quando quis fazê-lo, nos últimos anos, já era tarde."

(Nossa Senhora da Solidão, Marcella Serrano)

"Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão"

"- Mas o amor...sempre me pareceu não ter nada a ver com a paixão. E ao mesmo tempo, ser impossível de sustentar sem ela.

- É. O amor não é suficiente.

- Não foi. Nunca foi, nem nunca vai ser. Amor sem tesão é sentimento de amigo. Tesão sem amor é sensação para uma boa trepada. Amor com tesão devia durar para sempre. Mas nem sempre dura.

- As pessoas e essa teimosa mania de complicar o que é simples.

- A primeira vez que a gente se apaixona, acha que descobriu o amor. Que não vive mais sem aquele serzinho (que tantas vezes se torna insignificante em menos de um ano). Depois que essa paixão de adolescente passa, a gente descobre que não era nada daquilo. Às vezes, acho que posso me surpreender num próximo relacionamento e mais uma vez descobrir que todo esse amor que eu senti, não era nada daquilo.

- E, às vezes, você pode ficar procurando eternamente por esse sentimento em outro alguém e não conseguir encontrá-lo. O problema é isso se tornar um parâmetro.

- Impossível não comparar qualquer relação com a melhor que eu já tive. Ou ao menos a mais intensa.

- Não tem como não comparar as pessoas. Esse negócio de aguentar frustração, engolir em seco e dizer que está tudo bem é coisa pra quem tem sangue de barata, ou quem finge sentir o que não sente ou ainda, finge não sentir o que sente. Mas isso acontece com o tempo. Aos poucos certas coisas se sobrepõem. É porque você ainda não teve um relacionamento, desses com R maiúsculo, desde que terminou. Um dia ele chega e os parâmetros vão mudando.

- É que pra ter um relacionamento, desses com R maiúsculo, a gente precisa deixar que ele chegue e digamos que eu tenha passado um bom tempo sem deixar que essa oportunidade aparecesse e nas poucas vezes que deixei, me frustrei.

- Eu sei. Mais um processo natural. Você precisou viver esse luto. E confesso que te fez super bem. Algumas das suas melhores sacadas aconteceram de um ano pra cá. E das melhores histórias também, diga-se de passagem. Mas chega de luto. Se joga no mundo."


Esse negócio de ter Blog é como poder tirar fotografias. Certas conversas não devem ser esquecidas.


"Paixão é suar frio, é ficar imaginando o próximo encontro, é criar expectativas diariamente. É uma vontade enorme de engarrafar aquele sorriso, mesmo sabendo que isso não é preciso, porque é só fechar os olhos e ele vem." (C.Damasceno)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

There are many things that I would like to say to you, but I don't know how


"Se ao invés de um namorado ela tivesse uma namorada, você faria o quê?"



Não conheço Ibitipoca, mas Niterói é uma delícia mesmo com chuva. Só precisava de mais um dia pra comemorar os anos de bons amigos ao som de música boa, regado a cervejinha e aperitivos. Como eu queria ter folga amanhã!

Tudo um pouco corrido, mas dois dias longe da confusão já fazem uma boa diferença, uma boa conversa com um terapeuta também; além de guloseimas com a vovó, crepes a beira da praia com papai e almoço com a comadre.

Eu fujo, eu sei. É só as coisas apertarem um pouco pro meu lado e lá estou eu indo embora pra algum lugar. Mas é assim que eu consigo pensar. É quando estou longe do barulho que consigo ouvir o som que ele faz dentro de mim. É quando consigo organizar minhas idéias.

Tem muitas coisas que eu gostaria de dizer e não sei como. Nessas horas, um teclado ou uma caneta resolvem metade dos meus problemas.

"Se ela continuar assim, vai perder uma amizade e um amor".

Espero que ninguém me perca, porque depois fica difícil de encontar. Experiência própria!


"Sempre que te vejo assim
Linda, nua
E um pouco nervosa
Minha velha alma
Cria alma nova
Quer voar pela boca
Quer sair por aí...

E eu digo
Calma alma minha
Calminha!
Ainda não é hora
De partir..."

(Zeca Baleiro)

DJSet - Didi

Wonderwall

(Noel Gallagher)

Today is gonna be the day
That they're gonna throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you gotta do
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now

Backbeat, the word was on the street
That the fire in your heart is out
I'm sure you've heard it all before
But you never really had a doubt
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now

And all the roads we have to walk are winding
And all the lights that lead us there are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

Because maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

Today was gonna be the day
But they'll never throw it back to you
By now you should've somehow
Realized what you're not to do
I don't believe that anybody
Feels the way I do about you now

And all the roads that lead you there were winding
And all the lights that light the way are blinding
There are many things that I would like to say to you
But I don't know how

I said maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

I said maybe
You're gonna be the one that saves me
And after all
You're my wonderwall

I said maybe
You're gonna be the one that saves me
You're gonna be the one that saves me
You're gonna be the one that saves me

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Banho morno

Queria escrever. Muita coisa em tão pouco tempo. Tanta coisa tão de repente. Pensei num texto, num título, numas frases soltas dessas que vão se encaixando naturalmente na hora que os dedos já não conseguem mais acompanhar a velocidade dos pensamentos.

Queria escrever sobre tudo isso. Isso de perder o chão, a voz, a respiração. Isso de perder o controle. Mas não consigo. Ando muito descontrolada pra conseguir organizar alguns pensamentos.

"Eu não sei o que fazer. Só tô tentando não estragar tudo ao meu redor. Eu quero a minha mãe!" (É...eu também quero a minha. Pena é que ela não vá entender muito bem esse tipo de situação).

Desnorteada desde as últimas 72 horas. Perdi dez anos em cinco minutos. Voltei a ser uma adolescente, enfiando os pés pelas mãos, esquecendo do mundo pra ficar mais um pouquinho. Tremendo, suando frio, coração saltando na boca e um medo crescente de que dê tudo errado. De que as coisas acabem na velocidade em que começaram. De que ela descubra que não é nada disso. Ou que se acovarde, como eu provavelmente faria.

"Eu não tomo banho morno, Camilinha. Ou a água é muito quente, ou é muito fria".

Eu me acostumei a tomar banho morno. Mas parece que alguém desregulou o meu chuveiro.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Veja bem, meu bem

De repente, não mais que de repente, num sopro que finaliza um suspiro de quem desiste, o frágil castelinho de cartas desaba. A relação construída tão meticulosamente acaba em 3 minutos de palavras ríspidas, acaba num suspiro, não mais que num suspiro.

Não há o que discutir ou argumentar. Sem briga, sem choro, sem traição. Uma simples constatação de que, às vezes, remédio nenhum adianta. (Não há remédio pra duas vidas incompatíveis). Tem coisas que não se pode cobrar de ninguém. Não há culpados.

O que sobra?

Um cartão, um par de brincos e um bonequinho pra abraçar na hora de dormir; algumas poucas lembranças de bons momentos, de cheiros e gostos que se apagam com o tempo. Sobra aprender que paciência é um dom que precisa ser exercitado. Sobra saber que, por mais que eu me afobe, existem valores e pessoas dos quais eu não abro mão. Sobra um baita orgulho de saber quem eu sou. Com todos os meus defeitos e qualidades, com as minhas chatices e implicâncias, com os meus momentos galanteadora e conselheira. Sobra saber que eu não sou um personagem, que eu não preciso ser. Que os meus sentimentos estampados na cara me fazem pagar um preço alto muitas vezes, mas em tantas outras me valem as melhores companhias, das risadas mais gostosas, do melhor aconchego, do melhor carinho e preocupação. Meus amigos são os melhores do mundo, Dona Graça é mesmo um amor de pessoa e acordar ouvindo um pequeno cantando no meu ouvido é impagável.

Eu tenho 24 anos, um filho de sete, trabalho de madrugada e faço muita questão de ter os meus amigos por perto. Como já diria minha companheira de balcão: "Quem disse que é fácil acompanhar o nosso ritmo?"

Presentes da Fortuna

Nunca gostei de acreditar em pré-destinação. O caos que o acaso me remete sempre me pareceu mais real e plausível. Pré-destinação me cheira a desculpa de acomodado com a vida, de gente que prefere assistir tudo passar a tomar certas atitudes e responder, com responsabilidade, por elas posteriormente. Pré-destinação me parece o oposto do livre-abítrio. Se alguém (ou alguma coisa), de algum lugar do mundo (ou de outros mundos), define tudo de importante que vai me acontecer, o que cabe a mim decidir? Seremos todos marionetes se embolando nos próprios fios?

Mas, algumas coisas acontecem de tal maneira, que só uma intervenção divina ou espiritual podem explicar. Tem dias que parece que o mundo conspira a nosso favor e a Fortuna nos distribui presentes inigualáveis.

E se antes eu me perguntava o que seria de uma vida que passa sem doer, agora me pergunto: o que é passar pela vida sem se doar? Doar carinho, aconchego, amor. Doar o tempo, a paciência, o ombro. Doar sem esperar receber de volta. Amar porque me faz bem ; um bem maior ou igual ao que espero fazer a quem eu amo.

Eu não acredito em pré-destinação, mas acredito em encontros. E me sinto extremamente feliz com a possibilidade que tive de encontrar tantas pessoas bacanas (e até as nem tão bacanas assim) nesse quase um quarto de século. É bom saber que pude compartilhar de momentos importantes da vida delas; sejam eles bons ou ruins.

Não dormi essa noite. Coração batendo acelerado e um baita orgulho de saber que eu amo pessoas que merecem o meu amor.

Porque tem gente que eu nem tenho tanto contato assim, mas que sinto um enorme carinho de graça.

"Amigos a gente não faz, reconhece."

"Mas sempre compreendemos tarde demais os seres que mais próximo estão de nós, e quando começamos a aprender esse ofício de viver já temos que morrer, e sobretudo já morreram aqueles nos quais teria sido mais importante aplicar nossa sabedoria."
(Ernesto Sábato, Sobre heróis e tumbas)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Tudo que a gente não faz por medo

Tantas vezes escrevo e tantas outras torno a escrever certas passagens. A página em branco se opõe às idéias que não param de borbulhar em minha cabeça madrugada a dentro. Por que as melhores idéias, por que os acessos de fome literária, por que essa angústia que cresce a cada segundo me batem mais forte quando todos se calam?

No silêncio da madrugada, no escuro de um quarto fechado, mil e uma idéias perfeitas aparecem. Eu quase posse vê-las, tocá-las. As cenas se passam diante dos meus olhos aflitos por reproduzir as imagens que se criam, desencadeadas ao acaso no meu inconsciente.

E se me faltar o talento? E se me faltar o prazer? E se me faltar a sorte de um dia ter essas letras lidas por alguém que aceite publicá-las? E se me faltar a coragem de mostrá-las a mais alguém?

A insegurança me consome e o medo de falhar, de não conseguir atingir minhas próprias expectativas, me maltrata o estômago.

Talvez seja mais fácil escrever auto-ajuda. Ou textos de folhetins semanais, disfarçados de literatura, mas que beiram a auto-ajuda mais pobre, auto-ajuda de programa da tarde, de conversa de manicure, de novela das oito com propósito social.

Talvez seja mais fácil escrever novela. Ir ditando o roteiro conforme os expectadores esperam que ele se desenrole.

Talvez seja mais fácil continuar garçonete. Guardar na gaveta o diploma que o próprio STJ acha dispensável. Afinal, que mais se precisa além de saber ler e escrever para ser jornalista?

Garçonete de pub do interior, fada sininho embreagando o mundo com absinto, escritora de legenda de foto para guia gastronômico. Produtora de coisa alguma, recém-adulta perdida no labirinto infinito da solidão.

De tanto ler, quis escrever. Não escreve coisa alguma.

Tudo que a gente não faz por medo.

Literatura vira brinquedo, fuga, válvula de escape quando a ansiedade beira a crise de pânico, quando pensar em tomar ansiolíticos faz temer a perda das aptidões. A dor inspira. O que é uma vida que passa sem doer?

Enquanto ela passa, leio e releio palavras soltas, escritas esporádicas, textos que ninguém mais viu. O tempo escorre nas pontas dos dedos, o futuro chegou. Cadê você José? Cadê você aí? Que aí não há sequer um par pra dividir.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

História de um menino com um coração do tamanho do mundo

De quem vive pregando os olhos em um microscópio a quem não larga uma luneta, da existência do átomo à de galáxias distantes: o mundo sempre é do tamanho que você vê.

Tem gente que vive num mundo de 10 mil habitantes, enquanto outros vivem contando os bilhões. O mundo dele era do tamanho que ele fazia e isso sempre variava de um dia pro outro. Porque tem dias que o mundo cabe num abraço e em outros a solidão abre um buraco maior do que boca de tubarão branco e tudo parece nos engolir.

Ele conquistou o mundo com um coração. O mundo que criou e recriou todos os dias. Um mundo infinito para um coração infinito.

E como se deu essa conquista? Não se sabe ao certo, mas provavelmente sem muitos esforços. Tem coisas que nascem em nós quando se abre os olhos pela primeira vez e tem pessoas que simplesmente reconhecemos, sem saber direito de onde vieram nem para onde irão. É como se alguns de nós tivéssemos vindo do mesmo lugar. Quem sabe? O mundo é o que a gente faz. Ele conquistou um mundo de gente (e a mim, no meu mundo). A nós, cabe admirar e aproveitar essa ilustre presença em nossas vidas.


Mãe, tem uma coisa que eu não entendo: quando eu crescer, eu vou continuar sendo a mesma pessoa?”

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Resumos

Eu tô bem sim. Acho até que tenho entrado naquele momento de mulherzinha, que começa a procurar alguma coisa de errado porque "não é possível que esteja TUDO certo". Mas tirando umas dívidas que não me pagam (o que, consequentemente, não me permite pagar algumas das minhas), tudo anda muito bem.

É, eu continuo garçonete, mas apareceu uma oportunidade de investir em outras coisas e uns freelas que têm chegado nos melhores momentos. Vou receber minha primeira remuneração por algo que eu escrevi, olha que lindo!

Tá bom, pode rir. É um guia gastronômico. Mas ao menos eu provei as maiores delícias da cidade.

Sabe, nem é mais só um sonho essa coisa de escrever, é uma meta. E pode tardar, mas um dia chega. Te assino um livro, tá?

Família tá bem. Vovó deu um susto na galera esse mês, mas já passou. Tá ótima novamente, programando a próxima viagem e dizendo que vem aqui semana que vem.

Ah...eu programo uma porção de coisas, né? Acho que um pouco sabendo que nunca tenho a possibilidade de executar todas elas. Vou pelo volume: quanto mais planos, mais possibilidades de fazer algo que me deixe satisfeita.

O próximo? O próximo é uma tatoo. Dando tudo certo, semana que vem ela tá completinha em mim.

Coração vai bem.

Sim. Tem uma menina. No início eu queria um tanto mais, depois de um tempo passei a querer um tanto menos. Acho que agora as coisas se equilibraram. Me disseram essa semana que o importante é crescer junto. É isso que eu tô tentando.

Ela é linda. Tem uma porção de coisas que me agradam, mas ainda não deu muito tempo.

Tempo pra saber de certas coisas. Dessas coisas que só a pessoa pode te deixar saber. E sempre demora um pouco pra criar a intimidade e a confiança suficientes. Mas eu tenho paciência.

É. Aposto que você nunca imaginou escutar isso, mas Camilinha se tornou uma pessoa paciente com algumas coisas. Só com algumas, porque com todas só nascendo novamente.

Aqui, chega desse papo de nostalgia. Cansei de dizer que sinto saudades dos outros. Cinema na terça custa dois reais e tem um restaurante novo de comida mexicana bem do lado que é uma delícia.

Fechado então. Toda terça, sessão das 19h30. Começa hoje?

Te vejo mais tarde.

domingo, 9 de agosto de 2009

As cartas que eu não mando

Ei Flor,

também sinto saudades. Saudades das nossas conversas, dos sonhos deixados de lado pra que o papo rendesse um pouco mais. Do carinho e do cuidado entregues de graça mutuamente. Já sinto saudades das manias teimosas e dos comentários ranzinzas que costumavam me deixar pensativa e dos quais hoje sei sorrir e esperar que eles passem. Das implicâncias pequenas por coisas pequenas que no fim nos faziam trocar olhares com um sorriso debochado no canto da boca e simplesmente ríamos. De nós mesmas. De nada.

Sinto saudades da calmaria e da compreensão. Das demonstrações de afeto que olhares maliciosos tentavam desvirtuar, porque sob os nossos olhares é só a pura expressão do nosso amor. O melhor que se pode ter de um amor. Nosso amor tanto mais ágape que eros. Certas coisas só a gente entende e porque não cabe a mais ninguém entender.

Eu volto. Em breve. Quando o tempo for propício. Te levo um doce e uma cachaça, praqueles momentos de esticar as pernas.

Mande lembranças aos nossos. Diga ao pequeno que tenha paciência e um foco que logo logo as coisas andam. Para os Filhos do Vento, os caminhos estarão sempre abertos.

Dê notícias, mas não sempre, para que nunca se esgote de nós a vontade de pôr a conversa em dia.

Sigo ansiosa pelas próximas cenas dessa vida que eu tento controlar o caminho, mas que sempre me escapa. ("minha vida me ultrapassa em qualquer rota que eu faça"). Vou semeando entre os meus os grãos gêmeos da nossa relação. Plantando as sementinhas do amor, para que em toda época ele brote ao meu redor, embreagando-me com seu perfume.



"É o bonde do dom que me leva
Os anjos que me carregam
Os automóveis que me cercam
Os santos que me projetam
Nas asas do bem desse mundo
Carregam um quintal lá no fundo
A água do mar me bebe
A sede de ti prossegue
A sede de ti..."
(Arnaldo Antunes/ Marisa Monte/ Carlinhos Brown)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ah, o Chico....

Jorge Maravilha

E nada como um tempo após um contratempo
Pro meu coração
E não vale a pena ficar, apenas ficar
Chorando, resmungando, até quando, não, não, não
E como já dizia Jorge Maravilha
Prenhe de razão
Mais vale uma filha na mão
Do que dois pais voando
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
Ela gosta do tango, do dengo, do mengo, domingo e de cócega
Ela pega e me pisca, belisca, petisca, me arrisca e me enrosca
Você não gosta de mim, mas sua filha gosta
E nada como um dia após o outro dia
Pro meu coração
E não vale a pena ficar, apenas ficar
Chorando, resmungando até quando, não, não, não
E como já dizia Jorge Maravilha
Prenhe de razão
Mais vale uma filha na mão do que dois pais sobrevoando

(Chico Buarque)



Porque a gente perde o amigo, a namorada, o emprego...mas não perde a piada jamais.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Outros Bárbaros

Será que ainda temos o que fazer na cidade
Em nossos corações ainda resta um quê de ansiedade
Apesar de ter sido um grande prazer para todos
Resta saber se ainda queremos seguir
Querendo-nos, mútuo prazer
Outros bárbaros tão doces tão cruéis
Seguem vindo
Vivendo seus papéis de mocinhos e
De bandidos
Será que ainda temos o que fazer na cidade
Em nosso corações já reside um quê de saudade
De saudade

(Gilberto Gil)



Fim de semana mais leve dos últimos tempos. Nem parece que dormi tão pouco.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O exercício das pequenas coisas

O que me trazia de volta? Não sei ao certo. Mas crescia em mim uma grande satisfação de compartilhar aqueles momentos com aquelas pessoas. Bares, cafés, almoços e jantares. Um colo e uma cama quentinha. Conversas moles sobre assuntos duros. Na imensidão de concreto, é preciso leveza para sustentar o peso do próprio corpo; o peso da própria alma.

Cumplicidades e afeições gratuitas. A sutileza dos grandes encontros. Eu agradecia à Fortuna a sorte de ter ao meu lado pessoas com capacidade de me deixar tão à vontade.

Subíamos a Augusta aos atropelos, pondo em dia as conversas de um ano inteiro. Começava a garoar e nós só queríamos um chocolate. Teria sido mais fácil caso o correr das horas já não estivesse tão adiantado. na esquina da Paulista, por entre a neblina, o relógio marcava 23:54. Meu coração palpitou, meu peito se encheu numa respiração profunda. A cidade não pára. Nunca.

O que me trazia de volta? Não sei ao certo.Mas crescia em mim uma grande satisfação de estar viva. Como se só as imensidões fossem capazes de me fazer sentir assim.

Por entre as torres de concreto, minha idéias criam asas, querendo voar mais alto que os arranha-céus. Querendo atingir o tamanho de Deus.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A little bit of this

Como se de tempos em tempos eu sentisse a necessidade de reabrir meus olhos para o mundo. Uma necessidade de compreendê-lo em suas reais dimensões. Necessidade de entender o que são milhares. Andar na Av. Paulista procurando o céu em meio a tantos edifícios. São Paulo sempre me dá a sensação de volta à realidade.

Caetano Veloso diz que é um menino do interior que foi pra metrópole. Eu sou uma menina da metrópole que foi para o interior. Essas dimensões costumam se confundir. Ando me sentindo tão bem em um lugar quanto no outro. E essa eterna fuga do que possa cheirar a mediocridade.

Eu quero o mundo, mas quero sempre poder voltar pro meu cantinho quando as coisas do mundo me parecerem demais.

"Subíamos a Augusta aos atropelos, pondo em dia as conversas de um ano inteiro. Começava a garoar e nós só queríamos um chocolate. Teria sido mais fácil caso o correr das horas já não estivesse tão adiantado. Na esquina da Paulista, por entre a neblina, o relógio marcava 23:54. Meu coração palpitou, meu peito se encheu numa respiração profunda. A cidade não pára. Nunca."


" O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência..."
(Lenine)

terça-feira, 28 de julho de 2009

Inventando maneiras

Nada que o tempo não cure.





"Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes"
(Caetano Veloso)

domingo, 26 de julho de 2009

Redescobrindo uma música

Senta aqui que hoje eu quero te falar
Não tem mistério, não
É só teu coração
Que não te deixa amar
Você precisa reagir
Não se entregar assim
Como quem nada quer
Não há mulher, irmão, que goste desta vida
Ela não quer viver as coisas por você
Me diz, cadê você ai?
E ai, não há sequer um par pra dividir


Senta aqui, espera que eu não terminei
Pra onde é que você foi
Que eu não te vejo mais?
Não há ninguém capaz
De ser isso que você quer
Vencer a luta vã
E ser o campeão
Pois se é no "não" que se descobre de verdade
O que te sobra além das coisas casuais
Me diz se assim está em paz?
Achando que sofrer é amar demais

terça-feira, 14 de julho de 2009

Das coisas que se cria

Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Sentimentos presos em letras padrão. Sempre ridículos. Sempre carregados de lacunas entre tudo que se pensa, sente e diz.

Lacunas que invadem a rotina, que deixam vago aquele horário do café; que deixam vago um pedaço do coração, guardado a sete chaves num canto da cabeça.

Coração que vem bater na boca cada vez que o celular dá sinal de mensagem. E que se aperta novamente quando não é seu o nome que aparece no visor.

Andei querendo te ver de longe, passando do outro lado da rua sem que me veja. Só pra saber se ainda carrega esse olhar indeciso. Se nesse andar de quem sabe tudo da vida, ainda dá seus passos vacilantes querendo ir, mas temendo um dia se arrepender de não ter ficado.

Andei querendo catar seus suspiros e me agarrar às suas dúvidas. Me alimentar de possibilidades que se mostram cada vez mais próximas do impossível.

Andei procurando em mim um meio de não perder o que se construiu. Um meio de não jogar no vento um sentimento que custou a chegar e que me veio num momento tão oportuno.

Ando agora, por aí, procurando uma forma de não pensar, de não tentar, de não criar qualquer tipo de expectativa.

O caminho se faz caminhando.

"Os primeiros dias são os mais difíceis, mas você vai ficar bem. Você sempre fica".

É Flor...bem que você dizia. Sempre acontece quando a gente menos espera. "Se você não se distrai o amor não chega"

A questão é ele chegar logo na hora que ela resolve ir.

O maior problema das cartas de amor é que elas podem ser rasgadas, queimadas e todas suas linhas ignoradas, sem que o remetente faça a mínima idéia.


"
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você."
(Chico Buarque)

terça-feira, 7 de julho de 2009

Um pouco mais de paciência


Ele andava pelos cantos, pelas beradas. Sempre evitando fazer esforços, sempre evitando o que fosse doer. Normal, quase ninguém gosta de sentir dor. Gostava de se sentir querido - quase todo mundo gosta de se sentir querido; mas quando esse querer parecia demasiado, ia logo se esquivando novamente, se afastando, olhando com desconfiança. Na verdade, não conseguia conceber que alguém o amasse de verdade. Desse amor que não pergunta por quê e nem diz de onde veio. Desse amor que não é paixão, mas que chega aos pouquinhos, em pequenas atitudes cotidianas. Esse tipo de amor que nasce da admiração. Ele não acreditava que alguém pudesse admirá-lo.

Mas aconteceu. Quando menos se espera, essas coisas simplesmente acontecem. Ele já sabia bem de promessas de amor eterno que se perdiam no vazio de olhares que ele não retribuía, sabia bem de paixões que acabavam em uma semana, de cansaço ou de preguiça mesmo - porque ninguém gosta de investir demais em alguém que não dá retorno, que não trás uma flor, um olhar ou um carinho na nuca. E de tanto saber desses amores que vieram e foram embora sem alterar seu humor, é que percebia que dessa vez era diferente.

Ela não parecia querer muito, não pedia nada e se contentava com muito pouco. E era ela quem trazia flores, quem soltava um sorriso espontâneo no meio de uma conversa, quem sabia ler com os olhos quando algo não agradava muito. Ela, sem dizer uma única palavra sobre amor, sem nunca ter declarado seus pensamentos, só parecia querer estar ali.

Não ocupava muito espaço, era uma presença agradável, sabia a hora de calar, o momento ideal de falar. Foi indo, invadindo, tomando conta de cada cantinho, conhecendo todos os amigos, afastando todas as pretendentes, ajudando naquela matéria mais difícil, indicando livros, filmes, peças de teatro.

Ele sabia que se tratava de um grande esforço meticulosamente planejado, sabia que por trás daqueles gestos rotineiros pulsava um coração apaixonado. Ele sabia, e percebeu, e se rendeu e deixou que pela primeira vez alguém pudesse amá-lo.

Ela sabia que esse era o único jeito. E ela soube esperar.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Pra fazer um verso

"Amo você não por quem você é, mas por quem eu sou quando estou contigo" (Gabriel Garcia Marquez)


Eu não te amo.
Amo o que em ti desperta em mim tanto amor.
Não amo seu olhar.
Amo o brilho dos meus olhos quando vêem você se aproximando.
Não amo seu cheiro,
Amo a sensação que me toma quando meu olfato percebe sua presença no meu travesseiro.
Não amo seu sorriso,
Amo a vontade de sorrir que me dá quando a ouço gargalhar de piadas que mal aguenta me contar.
Não amo seus lábios,
Amo o vento frio que me corre o corpo quando toca os meus lábios num beijo tênue.
Não amo suas pernas,
Amo o arrepio que sobe pelas minhas pernas quando estão nuas e entrelaçam-se.
Não amo seu corpo,
Amo os sentidos que ele me desperta.
Não amo sua alma,
Amo o estado de euforia que a minha alma atinge na eminência de sua presença.
Não amo você,
Amo o que me desconcerta diante da sua beleza.
Beleza que é só sua.




"As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental"
(Vinícius de Moraes)

Reflexões e reflexos

Do que se cria sob um véu de sentidos


"O amor era um jogo, uma criação perpétua. Tudo era praia, areia, leito de lençóis sempre frescos". (Octavio Paz)


Foi guiando-se pelos sentimentos
Fazendo curvas onde via retas
Embriagando-se entre linhas de palavras tortas
Mergulhou nos versos que se fizeram em sopros.
Caminhou com cautela enquanto via pedras.
Alimentou sentimentos em conserva
Enquanto coube, no que era dentro.
Enquanto ainda, no que seria inteiro.
Entre fragmentos de sentidos
Entre grãos de areia coloridos
Formando em ondas o que se persegue
Virando forma o que se desenha
Tão perecível quanto desenhos em areia colorida
feitos por artesãs nordestinas
dentro de garrafinhas de vidro.

domingo, 14 de junho de 2009

Isso que se cala

Coisas que se encontra pela net


"Es que no puedo decir que necesito un amor porque el amor lo tengo en el diccionario. Lo que me hace falta, y lo has de imaginar, es un beso; y después del beso, un abrazo, y después una caricia y repetir la caricia... ¿vas entendiendo? No creas que te pido una aventura, mucho menos que seas un momento con su respectivo olvido y un posible arrepentimiento. Pero da igual lo que pienses si lo que importa ahora es mi "necesidad". Una imperante necesidad de hallarte dentro de mí, diciéndome acelerados respiros y, si se te ocurre, una palabra bonita para hacerlo menos frívolo y evitar que te sientas... ¿utilizado? Es una buena palabra; acertada, si tomamos en cuenta que somos un complejo instrumento para complacer y de paso... digamos... elevarnos. Podríamos descubrir el nirvana... No, no el amor, ni lo menciones. ¡No lo menciones! No pronuncies el amor. Mejor transfrórmalo en un beso. O mejor, en tu nombre."

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Um instante

Ainda é cedo, bem sei. Vou medindo as palavras, tentando não me precipitar. Substituo por outras, sussurradas ao pé do ouvido, entre um gemido e outro, devagar. (Linda). Que aos poucos saem, derramando lentamente o que se constrói. Que não se derrame muito, pois ainda é cedo, bem sei.

Ainda é cedo por ainda não ser exato, por ainda não ser total, por ainda não ser sincero. Ainda é cedo, bem sei.

Que seja no momento certo. Que venha quando nos acontecer. E que seja verdadeiro, pois sendo, se derramará sobre nós, sem que haja o mínimo de controle.


Que venha sussurrado entre colchas e lençóis, entre cheiros e gostos e carícias de amor, com o peito palpitante e o coração a sair pela boca. Que seja. (Eu te amo).



"Eu quero a sorte de um amor tranquilo
com sabor de fruta mordida"
(Cazuza)

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O que sobra

De tão pouco


Tem nem uma semana ainda. Bastou. Bastou por estar deixando de ser o que era. O que tinha de melhor. O que era de mais conforto. O que sempre foi mais olhares que palavras. Mais silêncio que barulho. Mais calmaria que confusão. Bastou porque não era esse o propósito. Bastou por hora. Não bastou em mim. Ainda me cabe. Ainda me vem. Ainda me invade quando menos espero. Mesmo que ainda seja cedo, ou que já seja tarde demais. Vai saber? Nos espaços dos dias que ela ocupou, nos pedaços de momentos, nos comentários pertinentes, vem agora um incômodo. Um incômodo inho, de meia dobrada em cima do dedo, fazendo apertar o sapato que sempre coube.



"Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de maravilha nua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que ainda é tarde demais?"
(Lô Borges)

domingo, 31 de maio de 2009

Pré-fabricando

"Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar" (Che)


- O quê você sente?
- Carinho, calor, aconchego e cheiro bom. E você?
- Sinceridade, carinho, compreensão.
- Tem sido difícil. O que eu acho certo não é o que eu quero.
- Você tá bem?
- Eu sempre fico. Tem sido difícil, mas eu fico bem.
- Não quero que você se prenda.
- Se prender não é uma escolha. Não gosto de sofrer, mas cansei de evitar correr riscos.
- Senti sua falta.
- Tenho sentido a sua.
- Mas eu fico melhor sozinha.
- Por que você não se despede sem me beijar?
- Não consigo.


Carinho, calor, aconchego e cheiro bom.

É...dói de verdade.



"Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo"

MP3 Player

Para ouvir pensando


"Tá certo que o nosso mau
Jeito foi vital
Pra dispensar o nosso bom;
O nosso som pausou.

E, portanto, exposição;
A disposição cansou.
Secou da fonte da paciência
E nossa excelência ficou lá fora.

Solução é a solidão de nós.
Deixe eu me livrar das minhas marcas;
Deixe eu me lembrar de criar asas.

Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que nesse verão eu faço sol.

Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu melhor.

A conta da saudade
Quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada;
Já que estamos fincados em dor.

Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena não ter pressa pra passar
Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena não ter pressa pra passar."

(O Teatro Mágico)



Como música tem o poder de mexer com as nossas emoções?

Como palavras sussurradas após três minutos de silêncio em uma faixa podem encher meus olhos de lágrimas no meio da rua?

Ando sensível demais. E nem estou na TPM.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Sentimentos cíclicos

Vasculhando a caixa de e-mails


"Camilinha, Freud chama isso de repetição. Você tem uma tendência a fazer as coisas da mesma maneira, sempre. Só precisa cuidar pra não cometer os mesmos erros."


"eu sei muito dela mas não sei muito bem o rumo que você tá querendo tomar com ela. não te conheço,não sei de tudo o que tá rolando entre vocês, não tô perto pra ver, entende? por mais que ela me conte.

o que eu sei e posso te falar com a maior certeza, é que o maior ponto em comum que tenho com a "pequena" é a tranquilidade que prezamos em TUDO o que fazemos.

abri mão do que eu sentia por ela pra ter uma vida tranquila, pra você ter uma idéia.

ganhei a melhor amiga das conversas mais tranquilas e das risadas mais gostosas, você mesmo pôde ver isso aquele dia.

e a Camila é assim, sente tudo de acordo com a tranquilidade que ela tem, se apaixona, desapaixona, sente tesão, sente que tem que afastar, sente que é melhor ficar calada, sente que é melhor esperar, sente que é melhor fazer isso hoje, sente que é melhor não, sente que tá com vontade de fazer e faz...tudo pra ela chegar no msn e me falar "ai, tô bem mais tranquila agora."
sabe? é isso ... rs.

a maior complicação da camila sobre as outras pessoas é que ela não tem segredos.

eu sei tudo o que ela sentiu e não sentiu por mim e ela sabe tudo o que eu senti e não senti por ela. e ponto!

sem joguinhos, sem expectativas, sem dúvidas.

o dia que você jogar limpo, for extremamente sincera com aquilo que você quer de verdade, com ela e principalmente com você, e se todas essas suas decisões forem relacionadas à vontade e à tentativa de ficar com a camila, aí eu acho que finalmente ela vai enxergar alguém pra tentar dar certo.

mas sem expectativas! se por acaso tudo der errado e você for a mais nova solteira da cidade, saiba que aquele pensamento clichê de "pelo menos eu tentei" não só funciona como te ajuda a ver os relacionamentos de outra forma.

experiência própria"



"Quisera eu
Ser a primavera
A boa-nova
Os sabores da vida
Dentro da sua tigela colorida
De tons incomuns
E colorir um a um
Os seus momentos nus
Queria ser
Quem você quisesse ver
Te dar bom dia antes do sol
E sem te acordar, mergulhar
Debaixo do seu lençol
Quisera eu, como eu queria
Saber que você me espera
Na próxima esquina
Pra irmos pra casa"
(Lulu Santos/ Zelia Duncan)

Quando tudo é quase nada



Eu sei. Prometi não escrever, não ligar, não mandar mensagens ou deixar recados. Eu sei.

Sei ainda mais do que tem me inquietado e do que tem me movido e do que tem me levado nesse último mês. Nessas tardes de maio. Nessas páginas amareladas de Drummond, nesses cafés com pães de queijo, nesses olhares cruzados quando menos se espera.

Sei dos riscos e dos medos. Dos anseios, das precipitações e dos impulsos. Sei de mim mais do que nunca. E de você, cada vez mais.

Sei da razão e da sensatez, que acaba por nos fazer pensar em pensar mais um pouco. Sei também dos instintos escorpianos e das coisas que se sabe e que sabe-se lá porquê não se evita.

Sei da paciência e da calma, sei da compreensão. "Eu me esforço, confesso. Mas é de verdade, juro".

Sei que quanto mais alto se sobe, maior o tombo. Sei que quanto mais raso se vive, mais amargo o gosto. Sei da minha mania de intensidade. Sei das tardes de maio. Dos cafés com pães de queijo. Sei de filmes e cobertores.


"Eu nada te peço a ti, tarde de maio,
senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,
sinal de derrota que se vai consumindo a ponto de
converter-se em sinal de beleza no rosto de alguém
que, precisamente, volve o rosto, e passa..."


Sei dos meus anseios e vontades e sei ainda do medo e dos receios de que sobrem mágoas. Mas antes as mágoas que me sobrem, que o ressentimento de não ter vivido.



"Sereia bonita descansa teus braços em mim
Eu quero tua poesia teu tesouro escondido
Deixa a onda levar todo esboço de idéia de fim
Defina comigo o traçado do nosso sentido"
(O Teatro Mágico)

domingo, 24 de maio de 2009

Um post embreagada no meio da madrugada

Só mais cinco minutinhos.


Me traga um beijo calmo e um carinho que me baste no intervalo do que eu sinto e do se passa sob nossos olhares estáticos.

Que mesmo encontros casuais ou marcados. Que entre cervejas, cigarros, quebradas e motéis. No que se desenvolve mesmo quando pensamos ser melhor não desenvolver. Acho que a verdade é que não podemos controlar, mas temos essa mania besta de querer controlar o quê se passa, o quê se sente o quê se faz. Mania de tentar controlar nossas vontades.

E logo eu, que fugi de tudo isso. Eu, que entre primeiras e segunda opções, sempre escolhi as terceiras. Eu, que estou bêbada demais pra continuar.

Quer saber? Me venha com calma e tenha paciência pra me entender. Do mais, "cada volta tua há de apagar o que essa ausência tua me causou".

E ponto.



"Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero "
(Cacaso)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Mania de poesia

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento, Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia, Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes que não tinha entrado na história.
(C. D. de Andrade)


Por onde andarás J. Pinto Fernandes?


Soneto de Separação


De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(V. de Moraes)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Sem mais



Encostou no ombro, ajeitou a coluna, os braços. Se entregou aos afagos recheados com o suave aroma adocicado, meio baunilha, meio morango. O aroma que saía por entre aqueles lábios toda vez que a proximidade permitia o encontro das duas respirações. Por vezes ofegante, mas era do cigarro. Ela fumava pouco, mas sempre fumava. Ela falava pouco, mas sempre falava. O silêncio que restava era quase sempre confortante. Quando não, fazia questão de concluir. Em poucas palavras. Economizava palavras para tratar de si. Não tinha problemas em se expressar, mas tem horas que dá uma certa preguiça. Em outras, uma leve sensação de que já se sabe tudo, como que por telepatia. Os olhares se encontram. O que precisava ser dito já foi dito. O que se sente não interessa a mais ninguém. Às vezes, a vida dá voltas sem que tenhamos controle algum sobre o que nos acontece. Ela já quis ter controle. Hoje, observa. Carrega um egocentrismo enraizado, difícil de arrancar, mas que vive sob estado de letargia. É como se agora tivesse quase certeza de que vai chegar. Sem precisar de esforços fenomenais e feitos grandiosos, sem buscar aplausos. Quando entre o ponto A e o ponto B existe um muro é melhor contornar do que tentar escalá-lo. E eram pequenos esforços diários que iam suavemente deixando de ser esforços. Que iam se incorporando ao cotidiano, trazendo a cada dia sua recompensa. Trazendo em cada carinho, cada olhar, uma gotinha de sentimento. Ela tem mania de colecionar gotinhas. Ela tem essa estranha mania de colecionar sentimentos.



"E quem será
Na correnteza do amor que vai saber se guiar
A nave em breve ao vento vaga de leve e trás
Toda a paz que um dia o desejo levou"
(Djavan)

sábado, 16 de maio de 2009

Mostrando como sou e sendo como posso

E nada abala a santa paciência


- Você é carioca de onde?
- Do Rio de Janeiro. Quem não é da cidade do Rio de Janeiro não é carioca, é fluminense.
- E você é marrentinha assim sempre?
- Não, só com pessoas como você.


- O que você faz?
- Eu observo.
- Sempre?
- O tempo todo.



"It's been a hard day's night
And I've been working like a dog
It's been a hard day's night
I should be sleeping like a log"
(Lennon/ McCartney)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Compreensão

Quando alguns papéis se invertem


- Filho, não adianta você ir falando as coisas correndo assim. Sair repetindo um monte de coisas não é rezar. Você entende tudo que você fala quando reza o Pai Nosso?

- Não.

- Então vamos lá. "Pai nosso que estais no céu". Quem é o nosso pai que está no céu?

- Deus.

(...)

- "...assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido."

- É querer que ele perdoe a gente igual a gente perdoa as pessoas que fazem coisas erradas com a gente.

- É o mais difícil, não é?

- O quê, mãe?

- Perdoar. Às vezes, a gente até sabe que é o certo a fazer, mas é difícil. Acho a coisa mais difícil da vida.

- Não é não. A coisa mais difícil da vida é raciocinar.


Quem disse que são os pais que ensinam coisas aos filhos?



"Meu caminho nesse mundo, eu sei
Vai ter um brilho incerto e louco
Dos que nunca perdem pouco
Nunca levam pouco
Mas se um dia eu me der bem
Vai ser sem jogo"
(Marisa Monte)

domingo, 10 de maio de 2009

Pelos caminhos

Venha e me traga um sorriso quente cheirando a drops de anis

Despertou sorrindo naquela manhã. O cheiro de café entrando pelo quarto dos fundos. Os barulhos matinais. Copos, xícaras, facas, o abrir e fechar da porta da geladeira.

Levantou sorrindo naquela manhã. As horas de sono foram suficientes para recuperar o corpo dos excessos da noite anterior.


Saiu do quarto sorrindo naquela manhã. O conforto que sentia era algo como abraço em bichinho de pelúcia. Era ombro, colo, cheiro no cangote. Era calma e tranquilidade em seu estado mais latente. Pleno. A plenitude daquela manhã, com o sol entrando através da moldura de madeira da janela. A rede estendida na sala. Objetos largados ao acaso, pares de tênis descasados, meias, mochilas, isqueiros e cigarros. E tanta paz em meio a bagunça.

Seguiu sorrindo naquela manhã. Com uma estranha sensação de que tudo, dali em diante, seguiria seu rumo de encontro ao inevitável. Seguiu por seu caminho, certa de que um dia as coisas começam a se movimentar no ritmo adequado. Não se pode perder a meta, mas contornos sempre hão de existir. Porque não é apenas um caminho. São muitos. E tem coisas que a gente não pode escolher.

sábado, 9 de maio de 2009

Um olhar além do meu olhar

Plagiando o infinito


Eu bato o cimento e você põe o tijolo. Só não vale parede de chapisco. A rua é sem saída e a mão é única. "Mãe, a gente nunca mais vai sair daqui! É o fim do mundo!" Mundo acabando, copos e doses e mesas e cantos. Casais felizes, outros nem tanto. Limpa, corta, fatia. Tempera, tempero de amor. O quê se faz com afeto tem gosto suave. Uma brahma gelada, um copo, um trago. 87% da população brasileira....ixi, se já chegou em porcentagens me enche mais um copo e traz a saideira. "Tá vindo daonde?". "Tô indo pra casa." Até brincar um dia cansa. "O Brasil vai pra frente no dia que uma jornalista não precisar mais trabalhar de garçonete!" Apoiado, em gênenro, número e grau. Brincar também cansa. Ando querendo me divertir de outras maneiras. "E coméqui faz?" Um copo gelado, uma bebida quente. Aquieta o coração, orienta as idéias, ascenta a cabeça. Reza pro seu Ori, sempre. "Tenho medo de ficar doida um dia...de verdade". Mostrando como sou e sendo como posso. "Quem não se comunica...". Pílulas pra passar a dor. Pílulas de sentimentos. "Não liga, não. Ele sempre faz essas gracinhas". E eu, que já nem acho tanta graça, vou sorrindo com o canto da boca. Se eu fumasse, teria dado um trago bem profundo agora.




"Cuidado meu amigo
Não vá se estrepar
Não queira dar um passo mais largo
Que as pernas podem dar
Não se iluda com um beijo
Uma frase ou um olhar
Não vá se perder por aí..."
(Arnaldo Baptista/ Rita Lee/ Liminha)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Tanto

De tantas coisas, de tantos tempos


- Quanto? Um tanto razoável.

- Um tanto que seja maior do que da última vez?

- Talvez. Não sei medir essas coisas.

- Mas dá pra medir.

- Deve dar. Pra alguém deve dar. Eu ainda não aprendi.

- Mede pela falta. Se antes fazia menos falta, hoje é um tanto maior.

- E isso é bom?

- Não sei. É o que você quer?

- Talvez. Nunca sei bem o que eu quero.

- Essa coisa de falta tem a ver com muita coisa também. Tem a lua, o humor, a TPM, tudo isso que influencia nas carências. E tem que separar o que é falta por carência e o que é falta de verdade.

- E faz diferença? Não é tudo falta? Tudo carência?

- É. Quase isso. Quase o mesmo. Mas dessas coisas que são quase iguais, mas com uma boa diferença.

- Prefiro não me preocupar. Mas sinto falta. E mais do que antes.

- Viu? Tá aprendendo a medir.

- Mas do que serve medir?

- Serve pra saber o quanto te importa.

- Mas eu sei o quanto me importa. Não preciso saber medir.

- Mas não adianta só você saber.

- E por que importa a mais alguém o que só eu sinto?

- Ah!!! Não sei.

- Amigo, dessa vez é você quem está complicando. O que eu sinto importa a mim, talvez, em uma escala menor, às pessoas pelas quais eu sinto e numa escala ínfima à todo o resto do planeta. Sem complicações. Simples assim. Um tanto suficiente pra aquietar meu coração.




"Pela profecia o mundo ia se acabar
Pelo vagabundo deixa o mundo como está
Pelo ser humano pelo cano o mundo vai, ou não
Pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar
Ciranda por ti
Ciranda por mim
Roda na ciranda que é pro não virar pro sim
Ciranda que vai, ô
Ciranda que vem
Roda na ciranda que é pro mal virar pro bem"
(Eduardo Krieger)