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sexta-feira, 18 de setembro de 2009

"Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão"

"- Mas o amor...sempre me pareceu não ter nada a ver com a paixão. E ao mesmo tempo, ser impossível de sustentar sem ela.

- É. O amor não é suficiente.

- Não foi. Nunca foi, nem nunca vai ser. Amor sem tesão é sentimento de amigo. Tesão sem amor é sensação para uma boa trepada. Amor com tesão devia durar para sempre. Mas nem sempre dura.

- As pessoas e essa teimosa mania de complicar o que é simples.

- A primeira vez que a gente se apaixona, acha que descobriu o amor. Que não vive mais sem aquele serzinho (que tantas vezes se torna insignificante em menos de um ano). Depois que essa paixão de adolescente passa, a gente descobre que não era nada daquilo. Às vezes, acho que posso me surpreender num próximo relacionamento e mais uma vez descobrir que todo esse amor que eu senti, não era nada daquilo.

- E, às vezes, você pode ficar procurando eternamente por esse sentimento em outro alguém e não conseguir encontrá-lo. O problema é isso se tornar um parâmetro.

- Impossível não comparar qualquer relação com a melhor que eu já tive. Ou ao menos a mais intensa.

- Não tem como não comparar as pessoas. Esse negócio de aguentar frustração, engolir em seco e dizer que está tudo bem é coisa pra quem tem sangue de barata, ou quem finge sentir o que não sente ou ainda, finge não sentir o que sente. Mas isso acontece com o tempo. Aos poucos certas coisas se sobrepõem. É porque você ainda não teve um relacionamento, desses com R maiúsculo, desde que terminou. Um dia ele chega e os parâmetros vão mudando.

- É que pra ter um relacionamento, desses com R maiúsculo, a gente precisa deixar que ele chegue e digamos que eu tenha passado um bom tempo sem deixar que essa oportunidade aparecesse e nas poucas vezes que deixei, me frustrei.

- Eu sei. Mais um processo natural. Você precisou viver esse luto. E confesso que te fez super bem. Algumas das suas melhores sacadas aconteceram de um ano pra cá. E das melhores histórias também, diga-se de passagem. Mas chega de luto. Se joga no mundo."


Esse negócio de ter Blog é como poder tirar fotografias. Certas conversas não devem ser esquecidas.


"Paixão é suar frio, é ficar imaginando o próximo encontro, é criar expectativas diariamente. É uma vontade enorme de engarrafar aquele sorriso, mesmo sabendo que isso não é preciso, porque é só fechar os olhos e ele vem." (C.Damasceno)

domingo, 31 de maio de 2009

Pré-fabricando

"Não quero nunca renunciar à liberdade deliciosa de me enganar" (Che)


- O quê você sente?
- Carinho, calor, aconchego e cheiro bom. E você?
- Sinceridade, carinho, compreensão.
- Tem sido difícil. O que eu acho certo não é o que eu quero.
- Você tá bem?
- Eu sempre fico. Tem sido difícil, mas eu fico bem.
- Não quero que você se prenda.
- Se prender não é uma escolha. Não gosto de sofrer, mas cansei de evitar correr riscos.
- Senti sua falta.
- Tenho sentido a sua.
- Mas eu fico melhor sozinha.
- Por que você não se despede sem me beijar?
- Não consigo.


Carinho, calor, aconchego e cheiro bom.

É...dói de verdade.



"Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo"

sábado, 16 de maio de 2009

Mostrando como sou e sendo como posso

E nada abala a santa paciência


- Você é carioca de onde?
- Do Rio de Janeiro. Quem não é da cidade do Rio de Janeiro não é carioca, é fluminense.
- E você é marrentinha assim sempre?
- Não, só com pessoas como você.


- O que você faz?
- Eu observo.
- Sempre?
- O tempo todo.



"It's been a hard day's night
And I've been working like a dog
It's been a hard day's night
I should be sleeping like a log"
(Lennon/ McCartney)

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Compreensão

Quando alguns papéis se invertem


- Filho, não adianta você ir falando as coisas correndo assim. Sair repetindo um monte de coisas não é rezar. Você entende tudo que você fala quando reza o Pai Nosso?

- Não.

- Então vamos lá. "Pai nosso que estais no céu". Quem é o nosso pai que está no céu?

- Deus.

(...)

- "...assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido."

- É querer que ele perdoe a gente igual a gente perdoa as pessoas que fazem coisas erradas com a gente.

- É o mais difícil, não é?

- O quê, mãe?

- Perdoar. Às vezes, a gente até sabe que é o certo a fazer, mas é difícil. Acho a coisa mais difícil da vida.

- Não é não. A coisa mais difícil da vida é raciocinar.


Quem disse que são os pais que ensinam coisas aos filhos?



"Meu caminho nesse mundo, eu sei
Vai ter um brilho incerto e louco
Dos que nunca perdem pouco
Nunca levam pouco
Mas se um dia eu me der bem
Vai ser sem jogo"
(Marisa Monte)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Tanto

De tantas coisas, de tantos tempos


- Quanto? Um tanto razoável.

- Um tanto que seja maior do que da última vez?

- Talvez. Não sei medir essas coisas.

- Mas dá pra medir.

- Deve dar. Pra alguém deve dar. Eu ainda não aprendi.

- Mede pela falta. Se antes fazia menos falta, hoje é um tanto maior.

- E isso é bom?

- Não sei. É o que você quer?

- Talvez. Nunca sei bem o que eu quero.

- Essa coisa de falta tem a ver com muita coisa também. Tem a lua, o humor, a TPM, tudo isso que influencia nas carências. E tem que separar o que é falta por carência e o que é falta de verdade.

- E faz diferença? Não é tudo falta? Tudo carência?

- É. Quase isso. Quase o mesmo. Mas dessas coisas que são quase iguais, mas com uma boa diferença.

- Prefiro não me preocupar. Mas sinto falta. E mais do que antes.

- Viu? Tá aprendendo a medir.

- Mas do que serve medir?

- Serve pra saber o quanto te importa.

- Mas eu sei o quanto me importa. Não preciso saber medir.

- Mas não adianta só você saber.

- E por que importa a mais alguém o que só eu sinto?

- Ah!!! Não sei.

- Amigo, dessa vez é você quem está complicando. O que eu sinto importa a mim, talvez, em uma escala menor, às pessoas pelas quais eu sinto e numa escala ínfima à todo o resto do planeta. Sem complicações. Simples assim. Um tanto suficiente pra aquietar meu coração.




"Pela profecia o mundo ia se acabar
Pelo vagabundo deixa o mundo como está
Pelo ser humano pelo cano o mundo vai, ou não
Pelo cirandeiro o mundo inteiro vai rodar
Ciranda por ti
Ciranda por mim
Roda na ciranda que é pro não virar pro sim
Ciranda que vai, ô
Ciranda que vem
Roda na ciranda que é pro mal virar pro bem"
(Eduardo Krieger)

terça-feira, 28 de abril de 2009

Tempo de amor

"Ah, que não seja meu o mundo onde o amor morreu"


- Eu vou virar biscate, Camilinha. Fui bacana, honesto, sincero, íntegro e só me fodi. Foderei com a vida alheia, então. rsrsrsrsrsr

- Eu passei mais de um ano toda preocupada com uma. Preocupada em como levar essa historia, porque, no fim, não tinha muita história e eu só queria que ela continuasse minha amiga...E aí??? No que deu??? Tomei no c*! Tive a maior paciência com a outra. Passei três anos vendo, basicamente, só quando ela queria me ver. Dando colo, ombro, sexo, tudo que ela precisava quando me procurava. Pra quê??? Olha aí no que deu! Aí, eu começo a me lembrar, de que quando eu era mega filha da puta, quando eu vivia na pegação desenfreada, quando eu pegava três ao mesmo tempo, as três viviam apaixonadas por mim. Esse mundo não é nada coerente, amigo.



O que salva é pensar que a vida vai passando aos pouquinhos e que, também aos pouquinhos, a gente vai criando juízo, criando preguiça, criando calos enormes que nos fazem pensar que nada é nem oito, nem oitenta. Ainda gosto de me divertir, mas pago o que for pela minha tranqüilidade. E ando querendo casar.




"Se você não se distrai, o amor não chega
A sua música não toca
O acaso vira espera e sufoca
A alegria vira ansiedade
E quebra o encanto doce
De te surpreender de verdade"
(Zelia Duncan)

sábado, 25 de abril de 2009

Desencontros casuais

Tirando as dúvidas que ainda restavam


Os 21 dias já estavam acabando, e eu achando que o melhor (que eu tinha pedido) era conseguir esquecer sem precisar cruzar com ela.

"Você não tá sonhando não, Camilinha. Sou eu mesma. Passei no Gil, ele disse que você tinha acabado de sair de lá e vindo pra cá."

Escorpianas não são difíceis, difícil é lidar com a incoerência dos outros.

- Que loucura! Será que alguém falou alguma coisa pra ela?
- Que tipo de coisa?
- Não sei. Pelo que entendi, alguém deve ter dito alguma coisa que você não sabe.
- Não..nem...eu falo tudo pra ela. Ela sabe que eu gosto dela demais. Mas tem tudo isso de não se assumir, do perrengue que ela passa com a mãe...Mas ela deixou bem claro, hoje, que independente disso, não rola nada.
- Mas isso, por si só, não justifica o surto que ela teve.
- É porque ontem..a noite toda...foi foda.
- Ela não foi la pra te ver?
- Não sei. E a gente não ficou.
- Ela não ficou com vc?
- Não. Só me beijou na hora que eu pedi. Pedindo quase por favor. E mesmo assim me deu dois beijos de três segundos.
- Então. Se mudou a postura dela do nada é porque alguma coisa aconteceu.
- Porque ela é doida. Porque ela não se assume. Porque...sei lá porquê.
- Mas ela ta numa raiva que não tem explicação.
- Pois é. É como se ela tivesse raiva de eu gostar dela. Acho que isso que me fez mais mal.
- De boa... desencana, baixinha.
- A postura dela é: "eu estou cheia de problemas, não vou me envolver nem com você nem com ninguém...desista. E não me apurrinhe mais."
- Independentemente. Ela ta sendo agressiva. Não tem porquê. Eu acho que alguém deve ter buzinado alguma coisa no ouvido dela, ou qualquer coisa assim. Porque ela não te trataria mal. Pelo que entendi, ela gosta de você também. Tanto que foi atrás. E das duas uma: ou alguém falou alguma coisa ou ela ficou com medo de realmente começar a gostar de você. Faz sentido?
- Ela consegue pirar mais que eu com isso. Problema é que eu fico mal com isso, sabe?
- Ahhh. Desencana. De verdade. Não se preocupa com o que não tem solução.




"Essa é a última solidão da sua vida
Aproveite e cure a última ferida
E nunca mais solidão"
(Moska)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos


- Chegou mais cedo hoje?
- Vim embora.
- Aconteceu alguma coisa?
- Coisas acontecem todos os dias.
- Quer conversar?
- Não.
- Boa noite.
- Boa noite.

- Na verdade quero.
- Pode falar.
- Até onde você iria por amor?
- Como assim?
- O que você faria por alguém?
- Difícil dizer assim, sem analisar uma situação.
- É que eu acho que não faria muito.
- Talvez porque não ame de verdade.
- Mesmo amando. Meu muito é pouco pra muita gente.
- Essas coisas são relativas. Você se sente mal com isso?
- Às vezes. Se vejo que sofrem por minha causa. É incômodo fazer alguém sofrer, mas não chega a me doer... Sabe, essas coisas que acontecem todos os dias, me deixam cada vez mais frio e distante. Emotivamente frio e distante.



"Sou inquieta, áspera
E desesperançada
Embora amor dentro de mim eu tenha

Só que eu não sei usar amor

Às vezes arranha

Feito farpa"

(Clarisse Lispector/ Cazuza)

domingo, 5 de abril de 2009

Duas garrafas de água e a conta

O lugar certo pode não ser o lugar ideal


- Eu sou do tipo que sofre. Sabe aquele que, quando chega pra contar pros amigos, só recebe esporro?

- Sei bem.

- Pois é. Só escuto assim: "Você é muito bobo", "Pára de sofrer por isso", "Você acreditou nele?" Mas fazer o que se eu me apaixono?

- Eu também já me acostumei a levar esporro, mas porque acho que essa mania de seduzir acaba com a nossa reputação. Ninguém acredita quando eu realmente estou apaixonada.

- É, te confessar que já vi você se apaixonar por três na mesma semana.

- Mas aí não era exatamente paixão...era fogo..e fogo por pessoas que seriam interessantes de se apaixonar.

-Mas ser interessante de se apaixonar são assegura nada.

- Pois é...se nem amando assegurou...imagina querendo amar?

- Vocês de escorpião...sempre nos extremos...ou muito sentimental ou muito racional.

- Conheci pessoas pelas quais eu realmente gostaria de ter me apaixonado. Mas isso de sentir a gente não escolhe, né?

- Pois é...e eu me apaixonei por pessoas que eu fiz de tudo pra não me apaixonar.

- Por quê?

- Porque tem gente que não presta, que você sabe que não presta...ou porque eram umas pessoas um pouco parecidas com você, dessas que a gente sabe que prestam, mas só quando querem. E é arriscado demais servir de cobaia.

- Nossa. Já ouvi muita coisa sobre escorpianas e muita coisa sobre mim, especificamente....mas nunca assim. Nunca parei pra pensar desse jeito. Mas eu não uso as pessoas...pelo menos não sem o consentimento delas...rsrsrsrsrs

- Você não presta!

- Você também não acredita, né?

- Acreditar no quê?

- Que eu goste dela. Também acha que é só fogo.

- Olha, eu me surpreenderia se fosse só fogo. Porque faz tempo que você fala essas coisas sobre ela. Mas isso de ser um desafio, de você nunca saber muito bem o que rola...acho que é um ótimo combustível.

- Me chamaram de covarde. Publicamente. Não me senti bem, por mais que saiba ser um tanto covarde muitas vezes.

- Não acho covardia. Conheço ela, até bem antes de te conhecer. Sei como é. Um dia ela relaxa, a ficha cai melhor, ela se livra das coisas que ainda fazem ela pensar que não vale a pena viver isso. Aí é bem capaz dela te procurar, pra pôr isso a limpo.

- Pensei em ligar. Eu sempre penso em ligar. Às vezes mando mensagens, quase nunca ela responde.

- É difícil mesmo. Ninguém te disse que seria fácil, não é? E foi você mesma que se dispôs a isso. Que sempre esteve à disposição pra conversar, pra consolar, pra curar carência. Não dá pra ter pressa.

- E isso não seria covardia?

- Talvez fosse, se o seu medo não tivesse fundamento. Com ela ou com qualquer outra é super normal você ainda sentir esse mínimo de receio de se relacionar. Sendo com ela então...calma.

- É...a maldita pressa da juventude.

- Quando é que você vai voltar a beber?



"Meu coração
Tem mania de amor

Amor não é fácil de achar

A marca dos meus desenganos

Ficou, ficou"

(Paulinho da Viola)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Papeando

"Agora senta-se sozinha e relembra"


Coisas que se ouve, se vê, se lê e se fala.

- Por que você me escolheu?
- Porque você parece carregar uma angústia, assim como eu.

- Quando aprendeu esses passos?
- Nunca.
- É a primeira vez que dança isso?
- É.

- O que a inquieta hoje, o que a atemoriza?
- Descobrir que não há paraíso possível, que não existe um lugar onde eu possa evitar a queda.

- É bom saber que você ainda é a pessoa que eu sempre achei que fosse.
- Como assim?
- Te amo, viu?

- E aí, vai voltar?
- Não sei. Talvez. Não sei muito das coisas que estão para me acontecer.

- Suas lembranças são sempre imagens.
- Por isso escrevo.

- E quanto a mim?
- À senhora caberá lembrar-se de tudo.

- Não me olhe assim.
- É assim que sinto.
- Está aqui por livre vontade.
- Sim, mas só por causa do que você disse. E você bem sabe.

- Eu quero morrer sentindo dor.
- Por quê?
- Pra que eu faça alguma diferença.

- Não se sentia sozinha?
- Muito, mas eu gostava da sensação. Ainda gosto.
- Por quê?
- Porque combina com a realidade. Odeio as sensações fictícias.

- A gente veio aqui levar você.
- Eu já estou morto. E posso afirmar-lhes que a morte não é tão má como se pensa.

- Que se há de fazer - murmurou - o tempo passa.
- É verdade - disse Úrsula - mas não tanto
.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Relendo contos antigos

Têm coisas que a gente escreve, mas não sabe bem porquê


(...)

"- E não se importa?

- Me importa que nosso afeto não morra, mas eu não posso controlar os seus pensamentos.

- E o que pensou quando levou essa história à diante? Já faz dois meses que vocês se encontram.

- Não pensei, senti. Tem coisas que não têm solução. Eu e Luísa não vamos nos ver mais, sempre soubemos disso, desde o primeiro dia. E não sofremos por isso. Aproveitamos os momentos em que estamos juntas e só. A vida continua, meus afetos não morrem, são cumulativos.

- E como você vai fazer quando tiver cinqüenta anos e uma lista de afetos acumulados? Nunca pensou nisso? Não pensa no que as outras pessoas sentem? Não respeita que elas possam sofrer?

- Você acha que eu não sofro? Por que será tão difícil respeitar que eu faça as coisas dessa maneira?

- Porque isso é egoísmo. Sua maneira egoísta de ser, de só pensar nos seus sentimentos, nos seus prazeres, nas suas dores, sem se preocupar com as dores que possa fazer outra pessoa sentir.

- Todos nós somos responsáveis pelas nossas próprias dores. Tudo que a nossa mente cria é responsabilidade só nossa, de mais ninguém. Eu não posso ser responsável pelos anseios dos outros, pelas expectativas que criam sobre mim"

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Estranho a inversão de certos valores. E de certos personagens também.

Desencantos também são cumulativos e podem ser recíprocos.


"Leve então
O resto desta ilusão
E todos os cuidados meus
Brinquedos dos caprichos"
(Chico Buarque)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Mas afinal, que diabos é o amor?

Essa coisa toda que a gente sente e não sabe dizer


- É que eu fico carente e fico sensível também, todo mês lá pro dia 10. É TPM, eu sei. Mas acabo aproveitando para pensar mais sobre certas coisas, dessas que faz bem pensar quando está carente. É como se o coração da gente se alimentasse de sentimentos nostálgicos e carinhosos.

- Eu me apaixono, você sabe. E até com uma certa facilidade. Ontem mesmo estive apaixonado. Uma mulher linda, quase cinquenta anos, inteligente, alegre, resolvida. Mas já passou. Durou o tempo que foi preciso para conseguir admirar tanta beleza.

- Mas o amor...sempre me pareceu não ter nada a ver com a paixão. E ao mesmo tempo, ser impossível de sustentar sem ela.

- É. O amor não é suficiente.

- Não foi. Nunca foi, nem nunca vai ser. Amor sem tesão é sentimento de amigo. Tesão sem amor é sensação para uma boa trepada. Amor com tesão devia durar para sempre. Mas nem sempre dura.

- As pessoas e essa teimosa mania de complicar o que é simples.

- A primeira vez que a gente se apaixona, acha que descobriu o amor. Que não vive mais sem aquele serzinho (que tantas vezes se torna insignificante em menos de um ano). Depois que essa paixão de adolescente passa, a gente descobre que não era nada daquilo. Às vezes, acho que posso me surpreender num próximo relacionamento e mais uma vez descobrir que todo esse amor que eu senti, não era nada daquilo.

- E, às vezes, você pode ficar procurando eternamente por esse sentimento em outro alguém e não conseguir encontrá-lo. O problema é isso se tornar um parâmetro.

- Impossível não comparar qualquer relação com a melhor que eu já tive. Ou ao menos a mais intensa.

- Não tem como não comparar as pessoas. Esse negócio de aguentar frustração, engolir em seco e dizer que está tudo bem é coisa pra quem tem sangue de barata, ou quem finge sentir o que não sente ou ainda, finge não sentir o que sente. Mas isso acontece com o tempo. Aos poucos certas coisas se sobrepõem. É porque você ainda não teve um relacionamento, desses com R maiúsculo, desde que terminou. Um dia ele chega e os parâmetros vão mudando.

- É que pra ter um relacionamento, desses com R maiúsculo, a gente precisa deixar que ele chegue e digamos que eu tenha passado um bom tempo sem deixar que essa oportunidade aparecesse e nas poucas vezes que deixei, me frustrei.

- Eu sei. Mais um processo natural. Você precisou viver esse luto. E confesso que te fez super bem. Algumas das suas melhores sacadas aconteceram de um ano pra cá. E das melhores histórias também, diga-se de passagem. Mas chega de luto. Se joga no mundo.

- Sabe... andei pensando nela... Alguns lugares, alguns cheiros, alguns risos... Tudo isso de bom que eu precisei negar diariamente, só pra ver se passava. É uma tática meio idiota. Passei meses remoendo tudo de desagradável que vivi, pra justificar o término. Nos últimos dias, andei por aí lembrando de muita coisa, assim, do nada... Fui feliz. Fui extremamente infantil, ciumenta e possessiva, mas fui feliz.

- Ambas. Ela me perguntou de você esses dias, mas achei melhor não entrar em muitos detalhes. Ainda acho que você deve investir em outras coisas, outras pessoas, outros cheiros, outros gostos. Nem que seja só pra mudar o parâmetro.

- É...nem que seja.



"Vamos ceder enfim à tentação
Das nossas bocas cruas
E mergulhar no poço escuro de nós duas
Vamos viver agonizando uma paixão vadia
Maravilhosa e transbordante, como uma hemorragia"
(Chico Buarque)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Eu tô te confundindo pra te esclarecer

Essa teimosa mania de não disfarçar o que se sente


- Mãe, como que faz pra comer a luz de uma vela?
- Não faz meu filho. Não dá pra comer luz. (Se bem que tem gente por aí que diz viver assim, né?)
- Dá sim mãe, a vovó falou.
- Filho, se você tentar comer luz de vela, vai queimar a boca.
- Mas mãe, a vovó falou que ela ia "jantar à luz de velas".


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"A questão é que as pessoas não costumam guardar as gotinhas. Elas precisam de doses diárias de distrações. Não dá pra viver na realidade 24h por dia".


Ainda assim daria uma vida pela minha lucidez.

E jamais abriria mão de demonstrar o que sinto.



"Muitas perguntas
Que afundas de respostas
Não afastam minhas dúvidas
Me afogo longe de mim
Não me salvo
Porque não me acho
Não me acalmo
Porque não me vejo
Percebo até
Mas desaconselho..."
(Zelia Duncan)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Nostalgia com cheirinho de Aloe Vera

Diálogos que merecem ser lembrados


Um dia me disseram que valia a pena guardar certos diálogos, porque se tem grandes chances de esquecê-los.


Mão dadas para atravessar a rua.

- Arthur, tem que olhar pros dois lados.
- Vó, sabia que Dom João fugiu pro Barsil?
- Ah, é? Por que?
- Porque as coisas não estavam boas lá em Portugal, não.
- Ah, é? Por que?
- Por causa do Napoleão. Ele era no mal, sabia?
- Sério?
- Sério. Aí o Dom João fugiu com a família dele pro Brasil.
- Hum...entendi....
- Sabia que Dom Miguel era inimigo de Dom João?
- Não, não sabia.
- Sabia que mesmo assim ele casou com a filha do Dom João?
- Nossa, não...não sabia.
- Que doidera, né?


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Domingo, nove da noite, cheiro de banho inundando o quarto, roupa de cama quentinha, ursinho de pelúcia no colo, livro sobre a vida de Salvador Dali nas mãos.

"...então, Dali conheceu Pablo Picasso e se interessou muito por sua pintura"

- Mãe. Se Dali era surrealista, Pablo Picasso era o quê?
- Hum...(pausa pra não falar besteira). Cubista, filho.
- Mãe, se os surrealistas pintavam o que eles sonhavam, os cubistas pintavam o quê?
- ???? Filho, vou ver no google e te falo depois, tá?


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Jogo Inglaterra X Espanha na TV. Criança, cachorro, macarrão quente no prato, amigos jogados no sofá.

- Arthur, tá torcendo pra quem?
- Pra Espanha.
- Isso aí Arthur! A Espanha é um país muito legal. É muito bonito. Eu vou morar lá um dia e aí você pode ir me visitar, tá?
- Ah...não vai não!
- Como assim, Arthur? Vou sim. Vou morar na Espanha e você vai lá me visitar.
- Mas não vai mesmo. Eles estão expulsando todos os brasileiros de lá.


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Tarde de domingo. Ano de alfabetização. Longo caminho a pé.

- Ba-bbo Gi-a-bba Pi-zza-ri-a. Hum, mãe...aqui vende pizza, né?
- Sim, filho.

Alguns metros a frente.

- Po-ten-za a-ca-de-mi-a. Hum, aqui é uma academia, né, mãe?
- Sim, filho.

Mais alguns metros.

- Cã-o bra-vo. (???) Mãe, aqui só vende cão bravo?



"Do que é feita a nuvem?
Do que é feita a neve?
Como é que se escreve
Re...vèi...llon"
(Paula Toller)

Se não tivesse o amor

Melhor era tudo se acabar


- Oi.
- Olá. Acabei de falar de você.
- Ah é? Com quem?
- Com uma amiga. Tava dizendo pra ela que vamos casar.
- Ah é?
- Ela comentou que não acredita em casamento e eu disse que só acredito em casamento com você.
- Mas eu falo isso sério, por mais que as pessoas achem que eu estou brincando.

(...)

- Toda vez que entro bêbado no msn fico falando besteira pra você, né?
- rsrsrsrsrs. Tá tranquilo. Toda vez que eu entro no msn estressada, fico falando horas na sua cabeça.
- Um dia eu ainda chego em você de verdade. Mas acho que a gente vai morrer de rir.
- Então, essa coisa toda de sexualidade e relacionamentos, sabe como é...e minha preguiça.
- Mas aí complica muito e nosso lema sempre foi descomplicar.
- Sabe, acho que isso de magoar as pessoas acaba fazendo com que eu prefira ter quem eu amo por perto sem me envolver. Como que pra polpar das besteiras que eu sei que vou fazer.
- Mas quem disse que eu quero casar agora?

Tem coisas que ficam muito mais bonitas sem ter explicação.



"E nos espaços serenos
Sem ontem nem amanhã
Dormir nos braços morenos
Da lua de Itapuã"
(Toquinho e Vinícius)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Relendo scraps antigos

Coisas que não se pode esquecer


Um trovão acontece anunciando a chuva que começa logo em seguida. Arthur toma um baita susto.

- Viu, Arthur? É o Thor com o bastão.
- Mas o Thor não existe, mãe. É uma lenda.
- Saci também é lenda e agora eu sei que existe.
- Mãe, ninguém acreditou que vc viu um saci.
- É verdade, Arthur...
- Nem a Thalita acreditou?
- Não, nem a Thalita acreditou. Achou que eu tava ficando doida.
- É mãe, se nem a sua melhor amiga acreditou, deve ser só uma lenda mesmo...

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pensamentos soltos

Saltitando pelos caminhos


Andaram me questionando sobre minha forma de levar determinadas coisas. Sobre essa discarada ansiedade e esse jeito de viver como se fosse morrer no próximo minuto.

Não que eu pense que vá morrer hoje ou amanhã, mas em algum momento só me restará um minuto.

Considerando que eu vivo em uma cidade com um dos maiores índices de criminalidade do país, que eu pego estrada pelo menos quatro vezes por mês, que eu bebo consideravelmente, que não tenho hábitos alimentares muito saudáveis, que não pratico exercícios físicos com frequência e que tenho casos na famila de doenças com influências genéticas. Considerando ainda que eu pego o 175 todos os dias (com seus motoristas desgovernados) e, inevitavelmente, passo dentro de uma favela para chegar até o trabalho, que atravesso cerca de seis pistas de vias rápidas da cidade diariamente e que sou um pouco sem noção quando entro no mar, posso afirmar que corros riscos diários de morrer por doença, acidente, afogamento ou qualquer outra bizarrice dessas que a gente fica sabendo.

Não que eu pense em morrer, repito. Longe disso. Ando dizendo, inclusive, que quero viver até os 120 anos. (E há quem duvide).

Que a evolução tecnológica me permita ser feliz até lá, pois não será por isso que vou deixar de "me arriscar" todos os dias.

Já dizia o meu querido Cris: "Tem medo de se arriscar? Não sai na rua. Mas também não fica muito tempo em casa, porque falta de sol faz mal, falta de contato com gente dá depressão e dizem por aí que suicida tem uma sorte pior do que quem morre naturalmente."


"- É Vó, a gente acha que quer uma coisa, vai atrás dela, batalha, passa perrengue e quando consegue, tem logo que criar outra coisa pra querer.

- A vida é assim. O que não pode é parar de querer".

Sabedoria de quem já teve filhos, escreveu um livro e plantou uma árvore. (Mais do que isso, planta, diariamente, conhecimento na cabeça dos outros).



Essa coisa de inventar um mundo por dia e de viver como se esse fosse ser o último não tem nada de inconsequente ou irresponsável. (A popularização do termo Carpe Diem tem deturpado extremamente seu sentido).

"Isso de ser agitada... deve ser de santo".

Ando sentindo saudades de chão de terra batida.


"Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu passo pra outra
Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!"
(Rita Lee)

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Diálogos em tempos de forçada paz

Enquanto o mundo entra em crise a gente sorri


- Calma, pensa que essa pode ser a melhor fase das nossas vidas. Pensa que quando tudo isso passar, quando as coisas entrarem no lugar, quando as rotinas se reestabelecerem, vamos passar anos cultivando a lembrança nostalgica do tempo em que tínhamos liberdade. Essa mesma liberdade que temos agora, e só agora, de ir para onde o vento soprar. Sem raízes, com bons amigos em muitos lugares, com a tranquilidade de que faremos novos, caso a gente caia em um canto desconhecido. Às vezes tenho medo de perder a chance de aproveitar esse momento, porque sei que ele nunca vai voltar.

- Eu fico ansioso. Tenho medo das coisas demorarem muito para dar certo. E ainda tem essa sensação de que tantos anos de estudo não serviram para quase nada.

- Ansiedade é complicado de lidar, realmente. Ainda estou exercitando a relação com a minha. Tem épocas que ela me corrói o estômago, que me causa alergias e crises de humor. Mas tenho aprendido a me manter mais calma, a sentir o movimento e a velocidade das coisas.

- É importante conseguir aproveitar esse momento mesmo. Vou tentar relaxar mais.

- Mas eu tenho tido essa mesma sensação que você, de que tantos anos não serviram para quase nada. Acho que o governo precisa criar ações de inserção de recém-formados no mercado de trabalho.

- Mas como fazer isso sem perder a qualidade dos profissionais que já estão atuando? Que tipo de incentivos?

- Não sei, algo como a cota para deficientes físicos. O Estado gasta milhões para a nossa formação. Não é possível que eu fique cinco anos estudando por conta do governo e tenha que continuar sendo garçonete.

- A nossa geração é uma das primeiras a sentir esse problema, porque não faz tanto tempo que se tem tanta gente com ensino superior no país.

- Quem sabe quando eu for Secretária de Educação ou trabalhar no Ministério....vou fazer essa proposta, desenvolver um programa, como esses de primeiro emprego para jovens de baixa renda.

- Um dia a gente chega lá. Viver de escrever e elaborar projetos.

- Não perco essa esperança jamais. Meu laptop no colo, minha rede na sombra, meu mate gelado, a brisa vindo me visitar, meus filhos correndo na praia e todos os meus afetos acumulados vindo inundar meu coração.




"Quanta gente existe por aí que fala tanto e não diz nada,
Ou quase nada
Já me utilizei de toda a escala e no final não sobrou nada,
não deu em nada"
(Tom Jobim)