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sábado, 25 de dezembro de 2010

Confusão

Tem uma frase do Tom Zé que eu adoro: "Eu tô te confundindo pra te esclarecer". Me senti assim agora, depois de terminar de ler o livro Tambores de Angola, supostamente psicografado por Robson Pinheiro. 

Não conhecia nada sobre o autor e nem sabia que o livro se tratava de psicografia. Ele simplesmente "caiu na minha mão" na última quarta-feira e minha curiosidade em relação a publicações que tratem de religiões (e principalmente religiões africanas ou "afro-brasileiras") me fez comprar o livro sem nem antes ler do que se tratava. O livro não é grande (256 páginas) e acabei lendo quase todo ontem. Hoje de manhã, terminei os dois últimos capítulos que faltavam. 

O que li me fez ficar pensando em várias coisas, em experiências que já tive, em coisas que já senti, vi, ouvi e pensei. Mas mesmo com palavras bacanas e conceitos que caíram bem nas explicações que o livro tenta dar, ainda fiquei com aquela pulga atrás da orelha. Queria saber quem é o tal Robson Pinheiro, o que mais ele já publicou, qual a sua formação. Recorri ao Google, é claro! E o que encontrei me confundiu mais do que me esclareceu. Informações desencontradas, gente que ama e gente que odeia o tal autor (que não seria autor, já que seus livros são psicografados). Espíritas kardecistas agradecendo as explicações a respeito de Pretos Velhos e Caboclos e umbandistas afirmando que o cara é um aproveitador da alta que a cultura negra de uma forma geral está passando e que faz afirmações caluniosas a respeito de magia negra, umbanda e candomblé e que as coloca como estando abaixo do espiritismo kardecista. Opiniões em blogs e revistas especializadas em espiritismo e sempre no oito ou oitenta. Encontrei um único blog em que o autor escreve: "Ele é um homem e pode cometer falhas como todos nós". De cara deu para perceber que essa história de falar de espiritismo e umbanda juntos gerou uma baita polêmica.

Um dos comentários que li em uma lista de discussões dizia que o que Robson publica não passa de ficção a moda de Harry Porter, com passagens tão fantasiosas quanto as dos livros do bruxinho. E de fato, alguns dos trechos que li me fizeram passar mais rápido pelas páginas (principalmente quando há uma passagem que descreve uma guerra entre espíritos do mal e bem feitores kardecistas aliados a espíritos de Pretos Velhos e Exús). Tudo muito cheio de referências materiais e efeitos especiais dignos de filmes apocalípticos de hollywood. 

Tenho certeza que ainda tenho muito a aprender sobre fenômenos que não conheço e minha curiosidade não está satisfeita nem a metade. O livro que no início parecia me esclarecer, acabou se mostrando mais confuso e ilusório. Mas talvez seja essa mesma a idéia. "Estou te confundindo pra te esclarecer". 

A busca continua e quem sabe um dia não encontro respostas para ter uma convivência mais harmônica com a natureza e as energias que circulam nela e em nós consequentemente. 

terça-feira, 22 de setembro de 2009

espíritos livres

Delicioso hobby esse que chamam seduzir!

Eu te seduzo, tu me seduz, nós seduzimos mais outros e outras e assim, num fluxo interminável de personalidades apaixonantes, nos envolvemos, nos cruzamos, nos transamos, nos encontrando e desencontrando num emaranhado de teia de aranha.

É Mário... algo além haveria de nos ligar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

There are many things that I would like to say to you, but I don't know how


"Se ao invés de um namorado ela tivesse uma namorada, você faria o quê?"



Não conheço Ibitipoca, mas Niterói é uma delícia mesmo com chuva. Só precisava de mais um dia pra comemorar os anos de bons amigos ao som de música boa, regado a cervejinha e aperitivos. Como eu queria ter folga amanhã!

Tudo um pouco corrido, mas dois dias longe da confusão já fazem uma boa diferença, uma boa conversa com um terapeuta também; além de guloseimas com a vovó, crepes a beira da praia com papai e almoço com a comadre.

Eu fujo, eu sei. É só as coisas apertarem um pouco pro meu lado e lá estou eu indo embora pra algum lugar. Mas é assim que eu consigo pensar. É quando estou longe do barulho que consigo ouvir o som que ele faz dentro de mim. É quando consigo organizar minhas idéias.

Tem muitas coisas que eu gostaria de dizer e não sei como. Nessas horas, um teclado ou uma caneta resolvem metade dos meus problemas.

"Se ela continuar assim, vai perder uma amizade e um amor".

Espero que ninguém me perca, porque depois fica difícil de encontar. Experiência própria!


"Sempre que te vejo assim
Linda, nua
E um pouco nervosa
Minha velha alma
Cria alma nova
Quer voar pela boca
Quer sair por aí...

E eu digo
Calma alma minha
Calminha!
Ainda não é hora
De partir..."

(Zeca Baleiro)

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Banho morno

Queria escrever. Muita coisa em tão pouco tempo. Tanta coisa tão de repente. Pensei num texto, num título, numas frases soltas dessas que vão se encaixando naturalmente na hora que os dedos já não conseguem mais acompanhar a velocidade dos pensamentos.

Queria escrever sobre tudo isso. Isso de perder o chão, a voz, a respiração. Isso de perder o controle. Mas não consigo. Ando muito descontrolada pra conseguir organizar alguns pensamentos.

"Eu não sei o que fazer. Só tô tentando não estragar tudo ao meu redor. Eu quero a minha mãe!" (É...eu também quero a minha. Pena é que ela não vá entender muito bem esse tipo de situação).

Desnorteada desde as últimas 72 horas. Perdi dez anos em cinco minutos. Voltei a ser uma adolescente, enfiando os pés pelas mãos, esquecendo do mundo pra ficar mais um pouquinho. Tremendo, suando frio, coração saltando na boca e um medo crescente de que dê tudo errado. De que as coisas acabem na velocidade em que começaram. De que ela descubra que não é nada disso. Ou que se acovarde, como eu provavelmente faria.

"Eu não tomo banho morno, Camilinha. Ou a água é muito quente, ou é muito fria".

Eu me acostumei a tomar banho morno. Mas parece que alguém desregulou o meu chuveiro.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

O exercício das pequenas coisas

O que me trazia de volta? Não sei ao certo. Mas crescia em mim uma grande satisfação de compartilhar aqueles momentos com aquelas pessoas. Bares, cafés, almoços e jantares. Um colo e uma cama quentinha. Conversas moles sobre assuntos duros. Na imensidão de concreto, é preciso leveza para sustentar o peso do próprio corpo; o peso da própria alma.

Cumplicidades e afeições gratuitas. A sutileza dos grandes encontros. Eu agradecia à Fortuna a sorte de ter ao meu lado pessoas com capacidade de me deixar tão à vontade.

Subíamos a Augusta aos atropelos, pondo em dia as conversas de um ano inteiro. Começava a garoar e nós só queríamos um chocolate. Teria sido mais fácil caso o correr das horas já não estivesse tão adiantado. na esquina da Paulista, por entre a neblina, o relógio marcava 23:54. Meu coração palpitou, meu peito se encheu numa respiração profunda. A cidade não pára. Nunca.

O que me trazia de volta? Não sei ao certo.Mas crescia em mim uma grande satisfação de estar viva. Como se só as imensidões fossem capazes de me fazer sentir assim.

Por entre as torres de concreto, minha idéias criam asas, querendo voar mais alto que os arranha-céus. Querendo atingir o tamanho de Deus.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Um instante

Ainda é cedo, bem sei. Vou medindo as palavras, tentando não me precipitar. Substituo por outras, sussurradas ao pé do ouvido, entre um gemido e outro, devagar. (Linda). Que aos poucos saem, derramando lentamente o que se constrói. Que não se derrame muito, pois ainda é cedo, bem sei.

Ainda é cedo por ainda não ser exato, por ainda não ser total, por ainda não ser sincero. Ainda é cedo, bem sei.

Que seja no momento certo. Que venha quando nos acontecer. E que seja verdadeiro, pois sendo, se derramará sobre nós, sem que haja o mínimo de controle.


Que venha sussurrado entre colchas e lençóis, entre cheiros e gostos e carícias de amor, com o peito palpitante e o coração a sair pela boca. Que seja. (Eu te amo).



"Eu quero a sorte de um amor tranquilo
com sabor de fruta mordida"
(Cazuza)

domingo, 31 de maio de 2009

MP3 Player

Para ouvir pensando


"Tá certo que o nosso mau
Jeito foi vital
Pra dispensar o nosso bom;
O nosso som pausou.

E, portanto, exposição;
A disposição cansou.
Secou da fonte da paciência
E nossa excelência ficou lá fora.

Solução é a solidão de nós.
Deixe eu me livrar das minhas marcas;
Deixe eu me lembrar de criar asas.

Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que esse verão eu faço só.
Deixa que nesse verão eu faço sol.

Só me resta agora acreditar
Que esse encontro que se deu
Não nos traduziu melhor.

A conta da saudade
Quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada;
Já que estamos fincados em dor.

Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena não ter pressa pra passar
Lembra o que valeu a pena
Foi nossa cena não ter pressa pra passar."

(O Teatro Mágico)



Como música tem o poder de mexer com as nossas emoções?

Como palavras sussurradas após três minutos de silêncio em uma faixa podem encher meus olhos de lágrimas no meio da rua?

Ando sensível demais. E nem estou na TPM.

domingo, 24 de maio de 2009

Um post embreagada no meio da madrugada

Só mais cinco minutinhos.


Me traga um beijo calmo e um carinho que me baste no intervalo do que eu sinto e do se passa sob nossos olhares estáticos.

Que mesmo encontros casuais ou marcados. Que entre cervejas, cigarros, quebradas e motéis. No que se desenvolve mesmo quando pensamos ser melhor não desenvolver. Acho que a verdade é que não podemos controlar, mas temos essa mania besta de querer controlar o quê se passa, o quê se sente o quê se faz. Mania de tentar controlar nossas vontades.

E logo eu, que fugi de tudo isso. Eu, que entre primeiras e segunda opções, sempre escolhi as terceiras. Eu, que estou bêbada demais pra continuar.

Quer saber? Me venha com calma e tenha paciência pra me entender. Do mais, "cada volta tua há de apagar o que essa ausência tua me causou".

E ponto.



"Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero "
(Cacaso)

domingo, 10 de maio de 2009

Pelos caminhos

Venha e me traga um sorriso quente cheirando a drops de anis

Despertou sorrindo naquela manhã. O cheiro de café entrando pelo quarto dos fundos. Os barulhos matinais. Copos, xícaras, facas, o abrir e fechar da porta da geladeira.

Levantou sorrindo naquela manhã. As horas de sono foram suficientes para recuperar o corpo dos excessos da noite anterior.


Saiu do quarto sorrindo naquela manhã. O conforto que sentia era algo como abraço em bichinho de pelúcia. Era ombro, colo, cheiro no cangote. Era calma e tranquilidade em seu estado mais latente. Pleno. A plenitude daquela manhã, com o sol entrando através da moldura de madeira da janela. A rede estendida na sala. Objetos largados ao acaso, pares de tênis descasados, meias, mochilas, isqueiros e cigarros. E tanta paz em meio a bagunça.

Seguiu sorrindo naquela manhã. Com uma estranha sensação de que tudo, dali em diante, seguiria seu rumo de encontro ao inevitável. Seguiu por seu caminho, certa de que um dia as coisas começam a se movimentar no ritmo adequado. Não se pode perder a meta, mas contornos sempre hão de existir. Porque não é apenas um caminho. São muitos. E tem coisas que a gente não pode escolher.

sábado, 9 de maio de 2009

Um olhar além do meu olhar

Plagiando o infinito


Eu bato o cimento e você põe o tijolo. Só não vale parede de chapisco. A rua é sem saída e a mão é única. "Mãe, a gente nunca mais vai sair daqui! É o fim do mundo!" Mundo acabando, copos e doses e mesas e cantos. Casais felizes, outros nem tanto. Limpa, corta, fatia. Tempera, tempero de amor. O quê se faz com afeto tem gosto suave. Uma brahma gelada, um copo, um trago. 87% da população brasileira....ixi, se já chegou em porcentagens me enche mais um copo e traz a saideira. "Tá vindo daonde?". "Tô indo pra casa." Até brincar um dia cansa. "O Brasil vai pra frente no dia que uma jornalista não precisar mais trabalhar de garçonete!" Apoiado, em gênenro, número e grau. Brincar também cansa. Ando querendo me divertir de outras maneiras. "E coméqui faz?" Um copo gelado, uma bebida quente. Aquieta o coração, orienta as idéias, ascenta a cabeça. Reza pro seu Ori, sempre. "Tenho medo de ficar doida um dia...de verdade". Mostrando como sou e sendo como posso. "Quem não se comunica...". Pílulas pra passar a dor. Pílulas de sentimentos. "Não liga, não. Ele sempre faz essas gracinhas". E eu, que já nem acho tanta graça, vou sorrindo com o canto da boca. Se eu fumasse, teria dado um trago bem profundo agora.




"Cuidado meu amigo
Não vá se estrepar
Não queira dar um passo mais largo
Que as pernas podem dar
Não se iluda com um beijo
Uma frase ou um olhar
Não vá se perder por aí..."
(Arnaldo Baptista/ Rita Lee/ Liminha)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O dia parece metade

Quando a gente acorda e esquece de levantar


"Tia, me explica com detalhes fáceis".

É que as pessoas complicam demais. E digo "as pessoas" me incluindo nesse grupo de bicho, meio racional, meio emotivo. Bicho gente que acha que sente o que deveria sentir, que pensa que sabe quando nem imagina o que seja, que diz que almeja, mas esquece de lutar; bicho gente que nunca sabe ao certo o que fazer nesse espaço entre tudo o quê se pensa e o quê se sente.

Gente que prefere não se responsabilizar pelas decisões, deixando tudo ao encargo do acaso. E gente que prefere tentar decidir tudo, perdendo a beleza de assistir a vida correr. E é um exercício constante isso de admirar o caos.

Já reparou em uma ferida enquanto fecha? Depois de um tempo ela continua feia, mas pára de doer. E fica ruim olhar pra ela, e ainda incomodam certos movimentos, mas já não dói mais.

O problema é que as menores feridas são as que mais ardem e a gente acaba ferindo outras e outras vezes, sucessivamente, no mesmo lugar. Tem hora que já nem dá mais pra saber se o que dói é a primeira ou se todas as outras que vieram depois.

Mas cobrir com band-aid não adianta. Tem que pegar ar pra curar.



"Você diz a verdade
A verdade é o seu dom
De iludir
Como pode querer
Que a mulher
Vá viver sem mentir..."
(Caetano Veloso)

domingo, 3 de maio de 2009

Meu paladar e seu faro

Entre cheiros, gostos, jeitos e tudo mais


Sentou, bebeu, pensou. "Tudo estava tão calmo até ontem". Sorriu, pensou, sentiu. "Tudo tão calmo e vazio até ontem". Pensou, sentiu, lembrou. "Tudo tão calmo, vazio e estranho até ontem". Sentiu, lembrou, chorou. "Tudo tão calmo, vazio, estranho e confuso até ontem".

Um dia, uma noite, uma semana.

"Ôh luta!"

Tomar decisões é o que há de mais difícil na vida.

Decidir sobre o que não se pode controlar é tentar entender o que não tem entendimento.

Deixa ser como será.

Vander Lee é um puta compositor.



" Vem, me tire pra dançar
Essa dança não é fácil de se acompanhar
Não que falte amor
No tempo, no espaço a gente ainda pode criar
Deixo a vida te levar
Que as luzes se acendam e que a gente possa brilhar
Mas cuidado, amor
Que as mãos que te estendem tapete não possam puxar"
(Vander Lee)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Calma, tudo está em calma

Deixe que a alma tenha a mesma idade que a idade do céu


E em cada instante um esforço. Trabalho contínuo e duradouro. Reflexões em pedaços, bocas, lábios, sons, o barulho do silêncio do mar. A pedra, o sal, o sol. Poesia natural. A poesia existe antes do homem.

Cerveja gelada, cadeira de madeira, barquinhos de papel, um sanduíche na esquina pra prevenir a ressaca.

E mais um dia amanhece na Praia de Botafogo.

Pra deixar o tempo fluir. Pra confiar no que há de vir. Pra saborear os segundos de paz. Arroz, feijão e farofa. Pra acordar com um: "Bom dia, linda!"

Deixe que o tempo cure.

Maturidade não tem quem te ensine. E bate na porta quando menos se espera.




"Calma!
Tudo está em calma
Deixe que o beijo dure
Deixe que o tempo cure
Deixe que a alma
Tenha a mesma idade
Que a idade do céu
A mesma idade
Que a idade do céu"
(Paulinho Moska)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Memórias, crônicas e declarações de amor

Entre os "talvez" de uma memória distante


Eu queria escrever. Mas não deu. Faltou inspiração, faltou tesão, faltou quase tudo. Tem faltado muita coisa.

Tem de sobra a falta das coisas. A falta do cheiro, do calor, do gosto. A falta de sentir falta.

Tem sobrado os quereres e estares sempre afim, faltando o que em mim já fez tanta parte.

Vinte e um dias pra que tudo se resolva. Que seja para ter ou para sobrar. Para sobrar essa falta de querer bem, de querer perto, de querer dentro. Ou para ter aquilo tudo (ou quase nada) que já pensei que quis dela, ou com ela.

Que acabou por se tornar só um querer no meio dessa confusão de vontades. Que se tornou meu último querer dos últimos tempos. Ela que nem deve se lembrar muito bem de mim, que mal sabe meu cheiro, que me disse um dia gostar do meu gosto. (Será?) Ela que é tanto e que tem tanto, que despreza o que lhe ofereço.

Ela que veio a ser minha maior incógnita e, por isso mesmo, tão desejada. Ela que é meu último apego ao querer bem sem saber muito bem porquê.

Ela que dentre tantos sentimentos vagos, me desperta um sei lá o quê, que me mantém assim. Me segurando à última gota de paixão que sai de mim.

Talvez nem a queira para toda vida. Talvez nem a queira para todo um dia. Talvez só deseje um momento de cumplicidade, um carinho depois de um bom sexo. Colos, cheiros, apegos, sussurros e segredos saindo como águas límpidas, sem rancores.

Talvez seu mistério perca toda a graça depois de desvendado. E talvez não seja nada disso.

Tem sobrado muita falta. E eu só queria me apaixonar novamente.



"Beijos,
Ainda quero mais beijos teus
Beijos,
Para satisfazer os meus
Beijos,
Nem que sejam de falsidade
Beijos,
Melhor que se fossem de verdade"
(Cartola)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Haverá paraíso?

Detalhes propulsores da constante metamorfose


- Mãe, por que se chama mountain bike se não é de moto, é de bicicleta?

Quando uma prioridade se sobrepõe à outra, respirar fundo e contar até um milhão faz a gente ver tudo de outra forma.

A sobriedade me atrai mais do que imaginava.

- Camilinha, a verdade é que as pessoas são muito chatas. Dá uma preguiça...

Algumas coisas nunca mudam.

O que muda são as urgências. Têm coisas que ninguém pode fazer por mim.



"Haverá paradeiro
Para o nosso desejo
Dentro ou fora de um vício?"
(Arnaldo Antunes e Marisa Monte)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Entre livros e cartas de amor

Os namoros da minha avó eram muito melhores que os meus

Pendotiba, calor com brisa, beija-flor na varanda, cachorro no quintal do vizinho, mil e trezentos livros num quarto e mais alguns que passeiam pela casa.

Curso de Quiromancia via internet banda larga.

- Vó, deixa eu ler sua mão.
- Acho que minha mão já tem linhas demais. A gente vai ficando velha e as marcas não param de aparecer.
- Vamos só ver se isso aqui funciona. Afinal, se já está na sua mão desde que você nasceu, dá pra confirmar coisas que já aconteceram.


Dedos, unhas, marcas, traços, linhas, cruzes, pontos, grades e quadrados.

- É, vó... você já namorou bastante.
- Graças a Deus!

E olha que namoro, na época da minha avó, não era nada disso com que estamos acostumados.

Não tinha essa de ir pra night de mini saia ou calça jeans grudada, em cima de um salto agulha, com chapinha no cabelo escolhendo de longe os pretendentes e saindo dali direto pro motel.

Tinha que ir pro baile com o irmão mais velho, os primos e os amigos da rua. Ia e voltava a pé, com sapatos baixos e bem confortáveis de preferência (imagina se equilibrar sobre paralelepípedos num salto agulha?).

O baile era um bom motivo pra arrumar um namorado, claro, mas a primeira idéia era dançar e se divertir com os amigos. Olhares daqui, olhares de lá, chegar perto pra conversar, segurar a mão, tirar pra dançar...usavam todo esse ritual que prolonga o processo por alguns bons dias.

Tinha que ver no baile, tirar pra dançar, ir buscar na escola na semana seguinte, pedir permissao pro irmao, levar no próximo baile.

Falando assim parece uma baita perda de tempo. Se a gente pode resolver tudo aqui e agora, não é?

Tá afim? Também tô? Vambora!

No fundo, o que há de melhor hoje em dia é que podemos ter sexo sem precisar casar. Do mais, não consigo pensar em outras vantagens.

Pode parecer careta, antiquado demais pra minha idade, coisa de mãe que começa a ver o filho crescer, mas ao menos entre meus amigos é unânime a idéia de que o melhor momento de uma relação é o princípio. Quando tudo ainda é motivo pra você se apaixonar, quando um olhar pode mudar o seu dia e o seu humor. Quando um beijo deixa nossas pernas tremendo, o coração disparado e não sabemos onde pôr as mãos.

Esse momento do flerte (não consigo encontrar uma palavra mais atual) ainda é o momento que mais nos agrada e o que cada vez mais pulamos, passamos correndo, aceleramos o passo. Começo a me perguntar: "Pra quê?"

- Mas tem quanto tempo que você tá solteira?
- Ah, vó, um ano e meio, por aí...
- Eu não ficava nem seis meses.


Não sei não, mas começo a desconfiar que os namoros da época da minha avó eram muito mais gostosos também.



"Quem de dentro de si
Não sai!
Vai morrer sem amar
Ninguém!
O dinheiro de quem
Não dá
É o trabalho de quem
Não tem!
Capoeira que é bom
Não cai!
E se um dia ele cai
Cai bem!..."
(Vinícius de Morais)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pensamentos soltos

Saltitando pelos caminhos


Andaram me questionando sobre minha forma de levar determinadas coisas. Sobre essa discarada ansiedade e esse jeito de viver como se fosse morrer no próximo minuto.

Não que eu pense que vá morrer hoje ou amanhã, mas em algum momento só me restará um minuto.

Considerando que eu vivo em uma cidade com um dos maiores índices de criminalidade do país, que eu pego estrada pelo menos quatro vezes por mês, que eu bebo consideravelmente, que não tenho hábitos alimentares muito saudáveis, que não pratico exercícios físicos com frequência e que tenho casos na famila de doenças com influências genéticas. Considerando ainda que eu pego o 175 todos os dias (com seus motoristas desgovernados) e, inevitavelmente, passo dentro de uma favela para chegar até o trabalho, que atravesso cerca de seis pistas de vias rápidas da cidade diariamente e que sou um pouco sem noção quando entro no mar, posso afirmar que corros riscos diários de morrer por doença, acidente, afogamento ou qualquer outra bizarrice dessas que a gente fica sabendo.

Não que eu pense em morrer, repito. Longe disso. Ando dizendo, inclusive, que quero viver até os 120 anos. (E há quem duvide).

Que a evolução tecnológica me permita ser feliz até lá, pois não será por isso que vou deixar de "me arriscar" todos os dias.

Já dizia o meu querido Cris: "Tem medo de se arriscar? Não sai na rua. Mas também não fica muito tempo em casa, porque falta de sol faz mal, falta de contato com gente dá depressão e dizem por aí que suicida tem uma sorte pior do que quem morre naturalmente."


"- É Vó, a gente acha que quer uma coisa, vai atrás dela, batalha, passa perrengue e quando consegue, tem logo que criar outra coisa pra querer.

- A vida é assim. O que não pode é parar de querer".

Sabedoria de quem já teve filhos, escreveu um livro e plantou uma árvore. (Mais do que isso, planta, diariamente, conhecimento na cabeça dos outros).



Essa coisa de inventar um mundo por dia e de viver como se esse fosse ser o último não tem nada de inconsequente ou irresponsável. (A popularização do termo Carpe Diem tem deturpado extremamente seu sentido).

"Isso de ser agitada... deve ser de santo".

Ando sentindo saudades de chão de terra batida.


"Quando eu me sinto um pouco rejeitada
Me dá um nó na garganta
Choro até secar a alma de toda mágoa
Depois eu passo pra outra
Como mutante
No fundo sempre sozinho
Seguindo o meu caminho
Ai de mim que sou romântica!"
(Rita Lee)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Parangolé tá valvulado

Caindo no samba pra levantar as idéias


- Shiiii.....
- O que foi, Arthur?
- Estou ouvindo os sons da natureza...


Às vezes, as palavras engasgam pra sair e as lágrimas falam mais que qualquer coisa.

Quanto vale a distância? Quanto vale o tempo que não se acompanha? Quanto de felicidade cabe num instante? Quanto de tristeza vale alguns instantes de felicidade?

Vontade de ter por perto se misturando com a vontade de ficar longe de uma porção de coisas. Vontade de voltar atras segurando vontade de seguir adiante.

A gente corre, corre, corre, mas nunca sabe exatamente onde quer chegar.

- Então é isso, mãe?
- Isso o quê?
- A gente nasce, cresce, trabalha, trabalha mais e morre?

Ando querendo uma casa no campo, meus bons amigos me cercando, meu filho correndo no quintal, meus livros e discos nas estantes, meu notebook no colo e minhas idéias valendo dinheiro o mais rápido possível.

Essa dedicação inumana nos faz perder todo o sabor da vida (já diria minha amiga Martha).

Dedicação Total a você fica lindo em slogan de financeira fastasiada de loja de eletrodomesticos e afins. Na prática, dedicação total é praticamente impossível e tende a nos levar a estafa.

Me sinto nova demais pra tanta coisa.

Em que parte da vida a gente se diverte?




"Minha carne é de carnaval
O meu coração é igual
Minha carne é de carnaval
O meu coração é igual
Minha carne é de carnaval
O meu coração é igual"
(Os Novos Baianos)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Eu, que ainda tenho 16 anos

E já carrego tanta coisa pra contar


"Espaço é coisa que precisa ser delimitada desde o início, porque depois é muito mais difícil pedir : 'Chega pra lá'".

As nossas lições costumam valer melhor pros outros.

E eu, que pouco tenho a ver com isso, que percorro meus caminhos sozinha madrugadas a dentro. Eu, com seis anos além dos dezoito, mas às vezes com tão menos.

Eu que não sei lidar com tantos quereres e não-quereres assim. Que acho um baita desperdício não gostar de quem gosta de mim. Que vivo entre amor, amigos e no fim...ando vivendo só por mim.

Deve ser coisa de signo, isso de ser egocêntrico. Deve ser coisa de espírito, isso de não criar laços. Deve ser coisa de educação, isso de ser meio grossa.

E digo meio, porque não o tempo todo. No resto do tempo minhas verdades não ferem ninguém.

Pura contradição de quem não gosta de assumir culpas alheias (e nem as próprias, diga-se de passagem), de quem prefere acreditar no acaso e se responsabilizar pelos erros e seus consequentes contratempos.

Eu me contradigo, bem sei. Dizendo verdades e fugindo tantas vezes delas. Tudo forma de se proteger. Praticamente instintivo.

"Os bandidos mais covardes são também os mais medrosos." - Filosofia de van.

Dando um passo de cada vez, me desfazendo das amarras uma por vez, volto a me reunir nas minhas coisinhas.

Tudo que tenho hoje é uma cama, uma calça jeans, algumas camisas, um tenis all star e amores que teimo em me afastar.

Meu filho, família, amigos e amores se acumulam nos meus pensamentos sem que eu possa tocá-los, sentí-los, cheirá-los.

Escolhas.

"Gandhi pensava na evolução da humanidade, um monge no alto de uma colina, pensa em sua própria evolução. E isso não é egoísmo."

Ando precisando de terapia.




"E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos"
(Renato Russo)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

It's all about us

Sigo sendo como posso

O que há em mim que não há em outros seres? Desses que andam pelas ruas debaixo do sol, em ônibus lotados, em vias rápidas, em vans e trens?

O que há em mim que me inquieta dessa maneira? Será a lua ou os hormônios?

Tudo em mim parece explodir em certos momentos. Um mundo de sonhos e desejos presos num corpo de um metro e meio.

Queria saber fazer música. Talvez fosse um belo remédio pras inquietações repentinas. Escrever às vezes dói. E, por vezes, eu sou um tanto masoquista.

Cada parte de mim parece reagir a sua maneira.

Quase médico e monstro. Lobo da Estepe.

Enquanto os ombros doem de tensão, a alma respira aliviada. Como se me cobrasse: "Pensei que você fosse se entregar a essa vidinha".

Ainda não sei o que há em rotinas que me incomode tanto, mas me incomodam.

Andei buscando liberdade e agora que estamos frente a frente, os instintos se chocam com os medos burgueses.

Vontade contínua de ir embora, medos contínuos da solidão.


No calor do meu quarto, um copo de suco nas mãos, novos baianos na caixa de som, cachorra chorando no corredor, medos e anseios rondando meus pensamentos.


Têm horas que a preguiça de tudo que eu tenho se mistura ao receio de tudo que penso que quero.

"Uma dessas pessoas que pareciam viver só pelos sentidos. Uma inocente. Que transitava pela vida dos outros, quebrando seus moldes, seduzindo, mas sempre acabava partindo. Talvez seja verdade, afinal, que corre sangue cigano em suas veias. Faca de dois gumes, sem dúvida, pois graças a isso, Santiago Blanco se apaixonou, mas justamente por isso nunca largou tudo por causa dela. Quando quis fazê-lo, nos últimos anos, já era tarde."
"Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto"
(Morais Moreira - Os Novos Baianos)