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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Papéis picados

Eh Borboleta, quem te disse que ia ser fácil?

Me disseram certa vez que o segredo é saber a hora de parar.

Parar dói, mas insistir numa situação que não tem como ir adiante pode doer ainda mais, mais pra frente.

Muita gente se assusta com a velocidade com que eu saio de uma relação e entro em outra. Isso acontece às vezes. Não porque eu não saiba ficar sozinha ou porque cure carências usando as pessoas (como tem muita gente fazendo por aí). A questão é que, por mais que a gente se envolva, se apaixone, fique de quatro, tem sempre um momento em que dá pra parar. Dali em diante, ou você está arriscando tudo em algo completamente novo, ou se guarda e deixa que passe.

Não que as coisas passem assim, de um dia pro outro. Tem tons de voz que ainda me balançam, sorrisos e olhares também. Tem até carinho na nuca que eu não posso pressentir chegar, porque me derreto mesmo sem acontecer, como uma criança que pressente sentir cócegas e já cai na gargalhada antes mesmo que alguém a toque.

É assim. Certas coisas se sobrepõem, é bem verdade, mas outras ficam. E vão ficar pra sempre. Mesmo que se joguem todos os papéis picados na lixeira.

Não é fácil tirar alguém da nossa vida. E a gente pode até optar por não deixar a pessoa ir, mas certas coisas mudam e não voltam a ser iguais, nunca mais.

Pessoas especiais não deviam partir e a distância necessária pra que tudo fique bem pode ser estabelecida sem que se perca o contato.

Pensa nisso.

Eu ganhei pessoas muito especiais nos últimos meses. Não vou deixar elas pertirem assim. Não quero que elas saiam da minha vida. É só sentir a distância necessária para que certas coisas não façam doer.

E segue adiante, que o tempo urge!

terça-feira, 22 de setembro de 2009

espíritos livres

Delicioso hobby esse que chamam seduzir!

Eu te seduzo, tu me seduz, nós seduzimos mais outros e outras e assim, num fluxo interminável de personalidades apaixonantes, nos envolvemos, nos cruzamos, nos transamos, nos encontrando e desencontrando num emaranhado de teia de aranha.

É Mário... algo além haveria de nos ligar.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

There are many things that I would like to say to you, but I don't know how


"Se ao invés de um namorado ela tivesse uma namorada, você faria o quê?"



Não conheço Ibitipoca, mas Niterói é uma delícia mesmo com chuva. Só precisava de mais um dia pra comemorar os anos de bons amigos ao som de música boa, regado a cervejinha e aperitivos. Como eu queria ter folga amanhã!

Tudo um pouco corrido, mas dois dias longe da confusão já fazem uma boa diferença, uma boa conversa com um terapeuta também; além de guloseimas com a vovó, crepes a beira da praia com papai e almoço com a comadre.

Eu fujo, eu sei. É só as coisas apertarem um pouco pro meu lado e lá estou eu indo embora pra algum lugar. Mas é assim que eu consigo pensar. É quando estou longe do barulho que consigo ouvir o som que ele faz dentro de mim. É quando consigo organizar minhas idéias.

Tem muitas coisas que eu gostaria de dizer e não sei como. Nessas horas, um teclado ou uma caneta resolvem metade dos meus problemas.

"Se ela continuar assim, vai perder uma amizade e um amor".

Espero que ninguém me perca, porque depois fica difícil de encontar. Experiência própria!


"Sempre que te vejo assim
Linda, nua
E um pouco nervosa
Minha velha alma
Cria alma nova
Quer voar pela boca
Quer sair por aí...

E eu digo
Calma alma minha
Calminha!
Ainda não é hora
De partir..."

(Zeca Baleiro)

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Veja bem, meu bem

De repente, não mais que de repente, num sopro que finaliza um suspiro de quem desiste, o frágil castelinho de cartas desaba. A relação construída tão meticulosamente acaba em 3 minutos de palavras ríspidas, acaba num suspiro, não mais que num suspiro.

Não há o que discutir ou argumentar. Sem briga, sem choro, sem traição. Uma simples constatação de que, às vezes, remédio nenhum adianta. (Não há remédio pra duas vidas incompatíveis). Tem coisas que não se pode cobrar de ninguém. Não há culpados.

O que sobra?

Um cartão, um par de brincos e um bonequinho pra abraçar na hora de dormir; algumas poucas lembranças de bons momentos, de cheiros e gostos que se apagam com o tempo. Sobra aprender que paciência é um dom que precisa ser exercitado. Sobra saber que, por mais que eu me afobe, existem valores e pessoas dos quais eu não abro mão. Sobra um baita orgulho de saber quem eu sou. Com todos os meus defeitos e qualidades, com as minhas chatices e implicâncias, com os meus momentos galanteadora e conselheira. Sobra saber que eu não sou um personagem, que eu não preciso ser. Que os meus sentimentos estampados na cara me fazem pagar um preço alto muitas vezes, mas em tantas outras me valem as melhores companhias, das risadas mais gostosas, do melhor aconchego, do melhor carinho e preocupação. Meus amigos são os melhores do mundo, Dona Graça é mesmo um amor de pessoa e acordar ouvindo um pequeno cantando no meu ouvido é impagável.

Eu tenho 24 anos, um filho de sete, trabalho de madrugada e faço muita questão de ter os meus amigos por perto. Como já diria minha companheira de balcão: "Quem disse que é fácil acompanhar o nosso ritmo?"

terça-feira, 14 de julho de 2009

Das coisas que se cria

Todas as cartas de amor são ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem ridículas. Sentimentos presos em letras padrão. Sempre ridículos. Sempre carregados de lacunas entre tudo que se pensa, sente e diz.

Lacunas que invadem a rotina, que deixam vago aquele horário do café; que deixam vago um pedaço do coração, guardado a sete chaves num canto da cabeça.

Coração que vem bater na boca cada vez que o celular dá sinal de mensagem. E que se aperta novamente quando não é seu o nome que aparece no visor.

Andei querendo te ver de longe, passando do outro lado da rua sem que me veja. Só pra saber se ainda carrega esse olhar indeciso. Se nesse andar de quem sabe tudo da vida, ainda dá seus passos vacilantes querendo ir, mas temendo um dia se arrepender de não ter ficado.

Andei querendo catar seus suspiros e me agarrar às suas dúvidas. Me alimentar de possibilidades que se mostram cada vez mais próximas do impossível.

Andei procurando em mim um meio de não perder o que se construiu. Um meio de não jogar no vento um sentimento que custou a chegar e que me veio num momento tão oportuno.

Ando agora, por aí, procurando uma forma de não pensar, de não tentar, de não criar qualquer tipo de expectativa.

O caminho se faz caminhando.

"Os primeiros dias são os mais difíceis, mas você vai ficar bem. Você sempre fica".

É Flor...bem que você dizia. Sempre acontece quando a gente menos espera. "Se você não se distrai o amor não chega"

A questão é ele chegar logo na hora que ela resolve ir.

O maior problema das cartas de amor é que elas podem ser rasgadas, queimadas e todas suas linhas ignoradas, sem que o remetente faça a mínima idéia.


"
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você."
(Chico Buarque)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Quando tudo é quase nada



Eu sei. Prometi não escrever, não ligar, não mandar mensagens ou deixar recados. Eu sei.

Sei ainda mais do que tem me inquietado e do que tem me movido e do que tem me levado nesse último mês. Nessas tardes de maio. Nessas páginas amareladas de Drummond, nesses cafés com pães de queijo, nesses olhares cruzados quando menos se espera.

Sei dos riscos e dos medos. Dos anseios, das precipitações e dos impulsos. Sei de mim mais do que nunca. E de você, cada vez mais.

Sei da razão e da sensatez, que acaba por nos fazer pensar em pensar mais um pouco. Sei também dos instintos escorpianos e das coisas que se sabe e que sabe-se lá porquê não se evita.

Sei da paciência e da calma, sei da compreensão. "Eu me esforço, confesso. Mas é de verdade, juro".

Sei que quanto mais alto se sobe, maior o tombo. Sei que quanto mais raso se vive, mais amargo o gosto. Sei da minha mania de intensidade. Sei das tardes de maio. Dos cafés com pães de queijo. Sei de filmes e cobertores.


"Eu nada te peço a ti, tarde de maio,
senão que continues, no tempo e fora dele, irreversível,
sinal de derrota que se vai consumindo a ponto de
converter-se em sinal de beleza no rosto de alguém
que, precisamente, volve o rosto, e passa..."


Sei dos meus anseios e vontades e sei ainda do medo e dos receios de que sobrem mágoas. Mas antes as mágoas que me sobrem, que o ressentimento de não ter vivido.



"Sereia bonita descansa teus braços em mim
Eu quero tua poesia teu tesouro escondido
Deixa a onda levar todo esboço de idéia de fim
Defina comigo o traçado do nosso sentido"
(O Teatro Mágico)

domingo, 24 de maio de 2009

Um post embreagada no meio da madrugada

Só mais cinco minutinhos.


Me traga um beijo calmo e um carinho que me baste no intervalo do que eu sinto e do se passa sob nossos olhares estáticos.

Que mesmo encontros casuais ou marcados. Que entre cervejas, cigarros, quebradas e motéis. No que se desenvolve mesmo quando pensamos ser melhor não desenvolver. Acho que a verdade é que não podemos controlar, mas temos essa mania besta de querer controlar o quê se passa, o quê se sente o quê se faz. Mania de tentar controlar nossas vontades.

E logo eu, que fugi de tudo isso. Eu, que entre primeiras e segunda opções, sempre escolhi as terceiras. Eu, que estou bêbada demais pra continuar.

Quer saber? Me venha com calma e tenha paciência pra me entender. Do mais, "cada volta tua há de apagar o que essa ausência tua me causou".

E ponto.



"Quando o amor
Quando o amor tem mais perigo
Não é quando ele se arrisca
Nem é quando ele se ausenta
Nem quando eu me desespero
Quando o amor tem mais perigo
é quando ele é sincero "
(Cacaso)

segunda-feira, 30 de março de 2009

"What is happening?"

Comigo? Nada.


Nada além do que o normal. Tenho tido algumas dores de cabeça, nos últimos dias, mas acho que é da TPM. O pé direito ainda dói em certas posições, mas já consigo descer do ônibus sem ter que me virar de lado. Cansei de tomar os antiiflamatórios (acabam com meu estômago e eu já estava na segunda caixa), mas preciso comprar uma pomada. Quem sabe melhora? Agora, com essa de desemprego novamente, tenho dado prioridade para outras coisas. Mas isso não tem me preocupado tanto assim.

Ah...sim...você diz das minhas calças? Do meu jeito de me vestir? Desse all star velho que eu carrego nos pés?

Comigo? Nada.

Minhas calças são velhas, mas confortáveis. E até aquelas duas que eu comprei semana passada, em mim, parecem ter mais de dez anos. Mas os bolsos são bons. Talvez isso explique a ausência da bolsa. Não saio de casa com nada além das chaves (que penduro no pescoço), cartões e o celular (e com cada vez menos dinheiro). Isso cabe nos bolsos. Não preciso de uma bolsa, obrigada. Meu tênis? Ah, sim, claro. Você já teve um all star? Acho que todo mundo que nasceu dos anos 80 pra cá, já teve um. Meu filho já teve três. Sim, eles ficam melhores com a idade.

Você diz dos meus cabelos? Por que andam presos o tempo todo?

Comigo? Nada.

Sabe, preferia que eles fossem curtos, mas são muito lisos e pesados e nem todo cabeleireiro consegue cortá-los bem. Ainda não conheço alguém que eu confie por aqui. Você conhece?

Como? Esse meu jeito?

Comigo? Nada.

Nasci assim. Não me lembro de algum momento em que eu quis ser diferente. Acho que você me conhece assim desde que nasci, não? É, já faz algum tempo...ainda se lembra?

Comigo? Nada.

Talvez com vocês, mas tem me dado uma baita preguiça de explicar.


"É da praia
Não é de ninguém
Não pode ser tua
Nem minha também
Tereza
É da praia"
(Tom Jobim)

quarta-feira, 11 de março de 2009

Eu tô te confundindo pra te esclarecer

Essa teimosa mania de não disfarçar o que se sente


- Mãe, como que faz pra comer a luz de uma vela?
- Não faz meu filho. Não dá pra comer luz. (Se bem que tem gente por aí que diz viver assim, né?)
- Dá sim mãe, a vovó falou.
- Filho, se você tentar comer luz de vela, vai queimar a boca.
- Mas mãe, a vovó falou que ela ia "jantar à luz de velas".


.................................................



"A questão é que as pessoas não costumam guardar as gotinhas. Elas precisam de doses diárias de distrações. Não dá pra viver na realidade 24h por dia".


Ainda assim daria uma vida pela minha lucidez.

E jamais abriria mão de demonstrar o que sinto.



"Muitas perguntas
Que afundas de respostas
Não afastam minhas dúvidas
Me afogo longe de mim
Não me salvo
Porque não me acho
Não me acalmo
Porque não me vejo
Percebo até
Mas desaconselho..."
(Zelia Duncan)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Eu, que não amo ninguém

E vivo a morrer de amores


Não tem explicação mesmo. Não precisa ter. Quem disse que essas coisas têm explicação?

Não me cobre questões claras, perguntas objetivas, respostas rápidas. Não as tenho, ou pior, não quero tê-las.

Nenhuma intimidade é suficiente pra se dizer certas coisas. Ninguém é amigo o bastante pra entender certos sentimentos. E isso não tem nada a ver com confiança.

Não quero uma vida repleta de grandes feitos, mas de pequenos detalhes cotidianos saboreados a cada instante.

Vou sentir falta de ver o mar do alto do viaduto.



"E eu não tenho nada a te dizer
Mas não me critique como eu sou
Cada um de nós é um universo, Pedro
Onde você vai eu também vou"
(Raul Seixas)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Parangolé tá valvulado

Caindo no samba pra levantar as idéias


- Shiiii.....
- O que foi, Arthur?
- Estou ouvindo os sons da natureza...


Às vezes, as palavras engasgam pra sair e as lágrimas falam mais que qualquer coisa.

Quanto vale a distância? Quanto vale o tempo que não se acompanha? Quanto de felicidade cabe num instante? Quanto de tristeza vale alguns instantes de felicidade?

Vontade de ter por perto se misturando com a vontade de ficar longe de uma porção de coisas. Vontade de voltar atras segurando vontade de seguir adiante.

A gente corre, corre, corre, mas nunca sabe exatamente onde quer chegar.

- Então é isso, mãe?
- Isso o quê?
- A gente nasce, cresce, trabalha, trabalha mais e morre?

Ando querendo uma casa no campo, meus bons amigos me cercando, meu filho correndo no quintal, meus livros e discos nas estantes, meu notebook no colo e minhas idéias valendo dinheiro o mais rápido possível.

Essa dedicação inumana nos faz perder todo o sabor da vida (já diria minha amiga Martha).

Dedicação Total a você fica lindo em slogan de financeira fastasiada de loja de eletrodomesticos e afins. Na prática, dedicação total é praticamente impossível e tende a nos levar a estafa.

Me sinto nova demais pra tanta coisa.

Em que parte da vida a gente se diverte?




"Minha carne é de carnaval
O meu coração é igual
Minha carne é de carnaval
O meu coração é igual
Minha carne é de carnaval
O meu coração é igual"
(Os Novos Baianos)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Eu, que ainda tenho 16 anos

E já carrego tanta coisa pra contar


"Espaço é coisa que precisa ser delimitada desde o início, porque depois é muito mais difícil pedir : 'Chega pra lá'".

As nossas lições costumam valer melhor pros outros.

E eu, que pouco tenho a ver com isso, que percorro meus caminhos sozinha madrugadas a dentro. Eu, com seis anos além dos dezoito, mas às vezes com tão menos.

Eu que não sei lidar com tantos quereres e não-quereres assim. Que acho um baita desperdício não gostar de quem gosta de mim. Que vivo entre amor, amigos e no fim...ando vivendo só por mim.

Deve ser coisa de signo, isso de ser egocêntrico. Deve ser coisa de espírito, isso de não criar laços. Deve ser coisa de educação, isso de ser meio grossa.

E digo meio, porque não o tempo todo. No resto do tempo minhas verdades não ferem ninguém.

Pura contradição de quem não gosta de assumir culpas alheias (e nem as próprias, diga-se de passagem), de quem prefere acreditar no acaso e se responsabilizar pelos erros e seus consequentes contratempos.

Eu me contradigo, bem sei. Dizendo verdades e fugindo tantas vezes delas. Tudo forma de se proteger. Praticamente instintivo.

"Os bandidos mais covardes são também os mais medrosos." - Filosofia de van.

Dando um passo de cada vez, me desfazendo das amarras uma por vez, volto a me reunir nas minhas coisinhas.

Tudo que tenho hoje é uma cama, uma calça jeans, algumas camisas, um tenis all star e amores que teimo em me afastar.

Meu filho, família, amigos e amores se acumulam nos meus pensamentos sem que eu possa tocá-los, sentí-los, cheirá-los.

Escolhas.

"Gandhi pensava na evolução da humanidade, um monge no alto de uma colina, pensa em sua própria evolução. E isso não é egoísmo."

Ando precisando de terapia.




"E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos.
O mundo começa agora
Apenas começamos"
(Renato Russo)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Let's Rock

Com sabor de travessura de criança


Saudades de babacas que sabem de amor, quase igual a mim. Que andei um tempo por aí, achando que sabia tudo. Achando que o acaso não existia, acreditando em sensações como se fossem sentimentos.

Aos poucos, a gente aprende a hora de parar.

Tá certo que algumas vezes é bom tomar um porre, mas passa a ser voluntário. Passa a ser uma escolha dentre tantas outras. Parar por aqui ou seguir adiante.


E reaprender, a cada dia, que pra tudo tem um tempo. E pra muita coisa, paciência.


Meus afetos se acumulam como os papéis na cabeceira. Depois de uma boa ressaca, é hora de recomeçar. Mas têm questões que dão uma mega preguiça de resolver.


"E o que você vai fazer quando tiver 50 anos e uma lista de afetos acumulados?"


Faltam vinte e seis anos pra isso. Quando chegar mais perto eu penso melhor.


Por hora, aquietar o coração é importante, companhia na cama de casal também. Se divertir é fundamental, mas tem riscos que eu prefiro não correr.


Eu digo que sou egoísta e as pessaos teimam em não acreditar.




"Vão as minhas meninas
Levando destinos
Tão iluminados de sim
Passam por mim
E embaraçam as linhas
Da minha mão"
(Chico Buarque)

domingo, 23 de novembro de 2008

O Pôr-do-sol é de quem vê

Woody Allen é melhor em Barcelona do que em NY


É quase uma unanimidade, pelo menos entre meus amigos mais próximos.

Ah o verão...ainda escrevo uma tese sobre as energias que circulam nas partes do planeta que ficam mais inclinadas ao sol, durante certa época do ano. Alguma coisa deixa os corpos e mentes um pouco mais libertos nessas noites amenas. E quando ele acaba... Já diria meu amigo Chico - "tantos passarão...eu passo".

E Allen conseguiu passar isso muito bem. Bem até demais. No meio das escolhas, dos impulsos, das atitudes racionais e das paixões explosivas. Me senti um tanto Cristina. "Não sei bem o que eu quero, mas quase sempre sei o que não quero". Um tanto Maria Helena. Porque tem relações que não se resolvem, mesmo tendo tudo pra dar certo. Um tanto Vicky, com essa mania louca de achar que pode escolher os próximos passos das próximas relações. Só não me senti nada Juan Antonio, até porque, sendo disputado por tantas beldades, onde é que aquele homem tava com a cabeça???

Ando precisando de fins de semana em Oviedo. Apesar do último ter sido quase perfeito.

Dias intermináveis, tardes longas, shows excelentes, tempo para todos os tipos de amigos, para curtir casa, praia, lapa, botafogo, música, circo, teatro, cinema e terminar com almoço em família e longas conversas ao telefone.

Se essa tal perfeição existisse, era bem capaz de ser algo próximo ao fim de semana prolongado. Tirando tintas erradas e choros ao telefone.

JF só ia me ver no Natal, mas não consigo resistir a um apelo do pequeno. Ainda mais sendo o primeiro, em tantos meses.

Pode fazer bem. Para a cabeça e para o espírito. Já disseram por aí que é melhor ser a pessoa errada na hora certa. Confesso nunca ter tido muito inclinação a ser certinha.

"Você sabe o mal que se esconde no coração dos homens? O Sombra sabe!"

Essas conversas de família rendem várias piadinhas.

"Qual foi a última vez que você viu o seu pai?"

Cineastas por todo o mundo andam bem inspirados.

Ainda tem uns cinco filmes em cartaz que eu quero ver.



"
A maioria das pessoas passa de oito a doze horas por dia
fazendo coisas que não fazem sentido na vida delas
PERMITA-SE! PERMITA-SE!"
(O Teatro Mágico)

sábado, 8 de novembro de 2008

A primeira vez a gente nunca esquece

Tardou, mas não falhou


Tem coisas que são praticamente inevitáveis na vida, mesmo não sendo muito agradáveis. Quando se trata de relações afetivas então, é tudo muito clichê.

Você vai se apaixonar, você vai achar que não vai conseguir viver sem alguém, um belo dia esse alguém vai embora (por um motivo qualquer) e você vai ter que aprender, na marra, que relações não são eternas. E como já disse Arnaldo Jabour, não é porque acabou, que não deu certo. Relações, como tudo na vida, têm um prazo de validade. A diferença é que o do leite vem na caixa, mas ninguém desfila por aí com números na testa.


No meio de tantas coisas comuns a tanta gente diferente, "tomar um pé na bunda" é só mais uma dessas situações clichês. Normal, acontece com todo mundo. Aos quinze, vinte ou quarenta anos. Se você nunca tomou um, aguarde: ele pode tardar, mas não falha. Só que as pessoas têm o péssimo costume de acreditar que certas coisas não vão lhe acontecer, principalmente se você passa por tantas fases da vida imune a elas.

No auge dos meus vinte e quatro aninhos, acho que, ingenuamente, não acreditava que fosse passar por tal situação. Confesso que já aprontei um bocado, já me apaixonei loucamente, já traí e já fui traída, já namorei por um mês, por um ano, por quase dois (porque além disso ainda tá muito longe da minha realidade). Já tive rolos, casos, acasos, aventuras, encontros e inúmeros desencontros. Já me magoaram e já magoei quem não queria. E mesmo com tantos acontecimentos nessa vida louca, eu passei anos imune ao tal "pé na bunda". De tanto que ele demorou, eu não me preocupei em me preparar psicologicamente para quando viesse. E ele tardou, mas não falhou.

Dói. Dói o cotovelo, a cabeça. Dói a queda por terra das reles expectativas de bons dias ao lado de alguém. Dói pensar que não se pode ter tudo nunca. Que essa coisa de querer construir uma relação não existe, porque uma relação são sempre duas. Não adianta achar que está tudo muito bom se na tal outra relação, que corre paralela, nem tudo são flores.

E é uma dor estranha, que, a princípio, não se sabe muito bem de onde vem. Não sei se dói por mim, por você ou por tudo o mais que poderia ter sido e não foi. Mas nada que uma boa cachaça no balcão não ajude a curar. Colo de amigos são sempre bem-vindos nesses momentos também. No meu caso, como nada pode acontecer numa "normalidade", mesmo quando apareço no meio da noite com a cara mais triste dos últimos tempos, a história vira piada.
"Tomei um pé na bunda."
"Ah normal, acontece."

"Eu sei, mas fico triste mesmo assim, né?"
"Peraí, isso aconteceu hoje?!"
"É...agora. Coisa de quinze minutos"
(Risadas generalizadas)

Ao menos não se perde o bom-humor.

Dor curada, o que sobra é lamento e brigadeiros com granulado verde.

Crianças continuam sendo uma excelente terapia. Dá um baita orgulho saber que influencio no desenvolvimento de um serzinho que se torna cada vez mais um belo rapaz.

"O que você quer de presente, Arthur?"

"Ah, pode ser um livro... ou um jogo..."



"Minha cara, minha Carolina
A saudade ainda vai bater no teto
Até um canalha precisa de afeto
Dor não cura com penicilina"
(Zeca Baleiro)

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Uma carta

Niterói, 10 de outubro de 2008.

Oi minha Flor,
hoje, tive muita vontade de escrever (isso me acontece de tempos em tempos) e resolvi fazer essa carta. Já faz muito tempo que não tenho notícias suas e sinto falta de sua presença que costumava ser tão constante.

Não consigo imaginar tudo que possa ter te acontecido nesses anos, apesar de saber dos fatos mais relevantes, nem tão pouco imaginar o quanto do que você era que ainda sobra no que você é hoje. Essa nossa mania de nos manter abertos a tudo costuma transformar nossas verdades com uma certa frequência. Mas ainda acredito nessas coisas de alma, sabe? Características de cada um que, por mais que o tempo passe, não vão mudar nunca.

Tento me lembrar de você sempre da mesma forma que te vi pela última vez. Das nossas horas sentados em um meio fio no alto do nosso morro, vendo a cidade lá embaixo, discutindo filosofia, religião ou qualquer coisa banal. Me lembro ainda das tantas vezes em que não discutíamos nada, só admirávamos o incessante fluxo das pessoas no mundo.

Minha vida continua estranha, Flor. Às vezes, os dias passam depressa demais, outras custam a terminar. Tem semanas que fico atolada de trabalhos a fazer e em muitas outras, me dedico a ler tudo que me parece interessante, para ocupar o tempo vago. Tenho lido muita coisa, Flor. Muita coisa que você ia gostar de ler. Muito romance de escritor latino. Descobrindo essa coisa de latino que a gente tem, mas que vive querendo negar, sabe? Essa coisa de achar que não nos parecemos com argentinos ou chilenos ou colombianos. Gosto de me sentir parecida com eles. Resolvi aprender espanhol.

Resolvi um monte de outras coisas também, mas ainda não sei quantas delas vou conseguir pôr em prática. Fiz um projeto, Flor. Ficou bonito e diz respeito a uma coisa que eu gosto muito. Espero que ele dê certo, porque se der eu vou viajar e conhecer o sertão. Vou conhecer o Nordeste por dentro, a terra da minha mãe e dos meus avós. Vou conhecer o nosso país de outro jeito, sem aquela máscara que a gente veste quando vê turista.


Essa coisa de querer conhecer as pessoas, os lugares, não consigo arrancar de mim. Talvez fosse mais fácil se eu me sentisse bem ficando quieta em um único lugar. Não passaria tanto tempo longe dos meus queridos. Mas é incontrolável.
Aconteceu uma coisa hoje. Passei pela Rocinha à noite, Flor. Nunca havia passado por lá à noite assim, devagar, observando as coisas, vendo como o comércio, as pessoas, tudo continua funcionando até tarde. Você tem que ver o mundo que é aquilo lá. Fiquei feliz de ver as crianças brincando nas praças, nas quadras, nas rampas de skate. Estão construindo uma passarela. Agora as pessoas não vão mais precisar se arriscar atravessando a avenida no meio dos carros. Estão fazendo muitas obras por lá. Aquelas pessoas merecem, sabe, Flor. Merecem ser tratadas como pessoas. Principalmente as crianças. Tenho pensado muito em crianças ultimamente.

Tem muito mais coisas que eu quero te contar. Quem sabe numa próxima carta. Agora estou um pouco cansada. Sabe, Flor, pensar demais na vida às vezes cansa e às vezes eu fico triste, meio sem saber porquê. Deve ser o cansaço.


Cuide-se sempre. Aguardo notícias.