quarta-feira, 18 de março de 2009

Relendo contos antigos

Têm coisas que a gente escreve, mas não sabe bem porquê


(...)

"- E não se importa?

- Me importa que nosso afeto não morra, mas eu não posso controlar os seus pensamentos.

- E o que pensou quando levou essa história à diante? Já faz dois meses que vocês se encontram.

- Não pensei, senti. Tem coisas que não têm solução. Eu e Luísa não vamos nos ver mais, sempre soubemos disso, desde o primeiro dia. E não sofremos por isso. Aproveitamos os momentos em que estamos juntas e só. A vida continua, meus afetos não morrem, são cumulativos.

- E como você vai fazer quando tiver cinqüenta anos e uma lista de afetos acumulados? Nunca pensou nisso? Não pensa no que as outras pessoas sentem? Não respeita que elas possam sofrer?

- Você acha que eu não sofro? Por que será tão difícil respeitar que eu faça as coisas dessa maneira?

- Porque isso é egoísmo. Sua maneira egoísta de ser, de só pensar nos seus sentimentos, nos seus prazeres, nas suas dores, sem se preocupar com as dores que possa fazer outra pessoa sentir.

- Todos nós somos responsáveis pelas nossas próprias dores. Tudo que a nossa mente cria é responsabilidade só nossa, de mais ninguém. Eu não posso ser responsável pelos anseios dos outros, pelas expectativas que criam sobre mim"

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Estranho a inversão de certos valores. E de certos personagens também.

Desencantos também são cumulativos e podem ser recíprocos.


"Leve então
O resto desta ilusão
E todos os cuidados meus
Brinquedos dos caprichos"
(Chico Buarque)

Um comentário:

_peron. disse...

já reparou que, agora, quem faz monografia sou eu e quem fica a toa a tarde inteira é você ? rs