segunda-feira, 16 de março de 2009

Mas afinal, que diabos é o amor?

Essa coisa toda que a gente sente e não sabe dizer


- É que eu fico carente e fico sensível também, todo mês lá pro dia 10. É TPM, eu sei. Mas acabo aproveitando para pensar mais sobre certas coisas, dessas que faz bem pensar quando está carente. É como se o coração da gente se alimentasse de sentimentos nostálgicos e carinhosos.

- Eu me apaixono, você sabe. E até com uma certa facilidade. Ontem mesmo estive apaixonado. Uma mulher linda, quase cinquenta anos, inteligente, alegre, resolvida. Mas já passou. Durou o tempo que foi preciso para conseguir admirar tanta beleza.

- Mas o amor...sempre me pareceu não ter nada a ver com a paixão. E ao mesmo tempo, ser impossível de sustentar sem ela.

- É. O amor não é suficiente.

- Não foi. Nunca foi, nem nunca vai ser. Amor sem tesão é sentimento de amigo. Tesão sem amor é sensação para uma boa trepada. Amor com tesão devia durar para sempre. Mas nem sempre dura.

- As pessoas e essa teimosa mania de complicar o que é simples.

- A primeira vez que a gente se apaixona, acha que descobriu o amor. Que não vive mais sem aquele serzinho (que tantas vezes se torna insignificante em menos de um ano). Depois que essa paixão de adolescente passa, a gente descobre que não era nada daquilo. Às vezes, acho que posso me surpreender num próximo relacionamento e mais uma vez descobrir que todo esse amor que eu senti, não era nada daquilo.

- E, às vezes, você pode ficar procurando eternamente por esse sentimento em outro alguém e não conseguir encontrá-lo. O problema é isso se tornar um parâmetro.

- Impossível não comparar qualquer relação com a melhor que eu já tive. Ou ao menos a mais intensa.

- Não tem como não comparar as pessoas. Esse negócio de aguentar frustração, engolir em seco e dizer que está tudo bem é coisa pra quem tem sangue de barata, ou quem finge sentir o que não sente ou ainda, finge não sentir o que sente. Mas isso acontece com o tempo. Aos poucos certas coisas se sobrepõem. É porque você ainda não teve um relacionamento, desses com R maiúsculo, desde que terminou. Um dia ele chega e os parâmetros vão mudando.

- É que pra ter um relacionamento, desses com R maiúsculo, a gente precisa deixar que ele chegue e digamos que eu tenha passado um bom tempo sem deixar que essa oportunidade aparecesse e nas poucas vezes que deixei, me frustrei.

- Eu sei. Mais um processo natural. Você precisou viver esse luto. E confesso que te fez super bem. Algumas das suas melhores sacadas aconteceram de um ano pra cá. E das melhores histórias também, diga-se de passagem. Mas chega de luto. Se joga no mundo.

- Sabe... andei pensando nela... Alguns lugares, alguns cheiros, alguns risos... Tudo isso de bom que eu precisei negar diariamente, só pra ver se passava. É uma tática meio idiota. Passei meses remoendo tudo de desagradável que vivi, pra justificar o término. Nos últimos dias, andei por aí lembrando de muita coisa, assim, do nada... Fui feliz. Fui extremamente infantil, ciumenta e possessiva, mas fui feliz.

- Ambas. Ela me perguntou de você esses dias, mas achei melhor não entrar em muitos detalhes. Ainda acho que você deve investir em outras coisas, outras pessoas, outros cheiros, outros gostos. Nem que seja só pra mudar o parâmetro.

- É...nem que seja.



"Vamos ceder enfim à tentação
Das nossas bocas cruas
E mergulhar no poço escuro de nós duas
Vamos viver agonizando uma paixão vadia
Maravilhosa e transbordante, como uma hemorragia"
(Chico Buarque)

Um comentário:

_peron. disse...

Aos poucos certas coisas se sobrepõem. é bem verdade.