terça-feira, 12 de novembro de 2013

o que ard(/t)e

E qual é esse caminho?
Vai saber.
Imersão em tanta informação e tão pouco espaço pra refletir e tão pouco senso pra questionar e tanto de tudo o tempo todo. Mudar pro sertão. Sair do mundo. E viver. A frustração de não segurar a onda do radicalismo. Chegar ao extremo. Se libertar de todas as coisas. Pra onde?
Vai saber.
E a gente faz tanta coisa que não está afim de fazer o tempo inteiro.
Meu gato me encara e deita. Cabeça virada ao contrário.
Se pôr de ponta cabeça. Correr em grandes espaços abertos.
Ir. Manter firme a caminhada.
Opor-se.
Não existe arte à favor.
Não existe.
Existir. O olhar do outro que me cega e me impõe trilhos.
Andar fora da estrada. E ir.
Manter firme a caminhada.
Um tema. Um dia de pensamentos.
Sem Deus nem nada.
Reflexões. Construção do seu entendimento. E ir.
Manter firme a caminhada.
Pra onde vai a minha energia?
De que forma eu me recarrego?
Com qual frequência?
Manter firme a caminhada. E ir.
Pra onde?


quinta-feira, 24 de outubro de 2013

quase trinta (2)

Hahahahahaha.... quem diria, Camilinha?

E eu me lembro do Joey, clamando: Deus! Nós tínhamos um trato!!!!

Quase trinta. Trezentos e sessenta e cinco dias para os trinta.
Eu hoje bebi sozinha. E comemorei. Eu, o Chico e duas latas de Brahma. Ao som do Emicida.
Tem sido bom. Tudo até aqui tem sido muito bom.

Quase lá. Estou quase lá.
Se lá é alguma coisa aos trinta e três (como eu costumava pensar).
Quase lá porque falta ganhar uma grana melhor com esse negócio de escrever.
Quase lá porque falta ter o Arthur aqui pelos anos que ainda teremos ele por perto. (ou por mais perto)
E só.

Quem diria, Camilinha????

Um belo amor, uma bela profissão, um punhado de belos amigos, belos e bons bichos ao redor, uma bela e boa paisagem no caminho de casa, belas e boas lembranças do que já foi. Belas e boas esperanças do que virá a ser.

Quem diria?

Sabe Deus, se você existe em algum lugar, se você reúne em si toda essa energia cósmica que se manifesta no universo, se é tudo e sendo tudo eu sou em você também... Valeu!

Por tudo.


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

quase trinta

Mania de falar no tempo passado. Gosto pela nostalgia. Era/é como perdoar um irmão. Ele não precisa pedir desculpas. Você vai estar sempre esperando. Mas o perdão já foi. Já não faz muita diferença se de fato não abalou muita coisa. Eu não soube pedir desculpas a pessoas que magoei. E esperei ser perdoada como se perdoa a um irmão. Não sei se fui. Andei concentrada em outros propósitos. Andei tomando conta demais de mim. Era preciso. Agora bem. Agora tudo em ordem. Mas distante o suficiente para não saber mais. É como perdoar a um irmão, mas eu não sei se o laço de fraternidade ainda existe.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Um trecho para Pê















Sentiu de novo aquele cheiro. O vento frio cortando o rosto. A luz invadia os olhos e cegavam. Ela enxergava melhor na penumbra. Ou era assim que costumava ser. Como naqueles dias em que recebia a luminosidade aos poucos. E aos poucos observava a luz clareando os ambientes.  O dia nasce devagar. A luz e a escuridão passam horas em contato. E enquanto uma recua exausta, a outra espalha-se na imensidão. Como naqueles dias. Dias em que ela apurava o olhar. Dias em que uma garota, com cara de mais garota ainda, invadia os redutos masculinos na escuridão, iluminada por placas de neon, e se sentava a mesa com eles. Como um deles. A fragilidade exposta nos olhos e a segurança mascarada nos ombros. Nos dias em que ela habitava o mundo dos mortos. “O inferno é isso aqui”, bradou uma vez, irritada com um papo chato de crente em mesa de botequim. Ali era sempre o último bar aberto no que restava da madrugada, que podia acabar ao meio dia, comendo pastel, tomando cerveja e conversando com as prostitutas na feira no centro da cidade.

Ela sentiu de novo aquele cheiro. O vento frio cortando o rosto. E as caras amassadas de dormir, misturadas às aparências cansadas de quem acorda quando ainda é noite, já circulavam pelas calçadas. Não longe dali, uma criança dormia um sono profundo, envolta em ursinhos de pelúcia. Aquele cheiro e aqueles sons. O mundo dos homens sendo desbravado pelo rosto juvenil de menina. O peito estufado. A segurança nos ombros. Bebia uma cerveja encostada no balcão. Falava qualquer coisa com o garçom. Ria. Ouvia. Cheirava. Qualquer coisa dessas que a gente vê na noite todos os dias. Qualquer coisa sobre bêbados brigando na calçada, crianças cheirando cola e pedindo esmolas, transações sexuais discutidas em mesa de bar. Qualquer coisa sobre o sentido da vida ou as teorias sobre vida após a morte e a existência de demônios rondando por aí. “Os demônios são pessoas como essas, que não percebem que morreram e continuam sugando os outros em busca de álcool, drogas e sexo” - arrematava em tom de ironia com os parceiros mais frequentes. E eles eram sempre os funcionários do bar. Do gerente ao segurança.

Ela sentiu de novo aquele cheiro quando, naquele dia, ele a puxou com força pra dentro e a mandou ficar ali. Os movimentos anteriores foram uma gargalhada forçada de uma travesti, um nordestino comprando mais uma ficha para cantar sertanejo no karaokê, alguém discutindo a conta no balcão e um motoqueiro com o capacete levantado, arrancando com a moto por cima da calçada. Quando acreditou que ela estivesse segura, ele se voltou novamente para fora do bar e ela pode ver a arma presa à cintura. “Ele foi gogoboy. Dançava na boate de vez em quando” – e ela sabia que era verdade. Tanto quanto sabia que aquele barulho não era de cano de descarga. Estufou o peito. Ele voltou e a mandou ir embora. A madrugada acabou mais cedo aquele dia. E pra ela não tinha durado nem duas horas.  



sexta-feira, 1 de março de 2013

Não vim ao mundo pra ser passiva


As narrativas faliram, porque não há como narrar o ponto em que chegamos. Foi mais ou menos isso que pensou o Benjamin quando o mundo se viu estupefato com as barbaridades cometidas durante a Segunda Guerra. Hoje, é fichinha. Holocausto é fichinha. Bomba atômica é fichinha. Nos embrutecemos. Enganou-se aquele que acreditava que o auge da barbárie traria uma nova consciência, um novo respeito, uma nova ideia de amor ao próximo. Enganou-se quem acreditou na redenção humana pelas próprias mãos. Pioramos. E vamos piorando a cada dia. Embrutecidos, anestesiados.  Tá fácil assistir à violência nossa de cada dia. Não precisa ir ao cinema, não precisa assistir telejornais. Ela está por todos os lados, nos olhares, nas reprimendas públicas das atitudes alheias. E é nesse contexto que renasce um movimento cristão, reúne adeptos de todas as classes, prega as palavras bíblicas em troca de uns bons trocados isentos de imposto de renda. E vai, aos pouquinhos, de pregação em pregação, alastrando nos peitos doídos e passivos dos desesperados, os sentimentos de ódio, de intolerância, de desrespeito ao outro. Outro nesse sentido mais preciso da palavra: aquele que não sou eu, aquele que em nada se assemelha comigo, aquele que faz suas escolhas pautadas em outros valores que não os disseminados na minha igreja. Minha igreja. É como os novos cristãos evangélicos falam. Os católicos creditam À Igreja, assim, com letras maiúsculas, a única salvação possível. Os evangélicos tem cada um a sua. E vão de casa em casa, na padaria, na esquina, na fila do banco, no meio da rua, no congresso nacional, sem pudor ou respeito às opiniões alheias, convocando cada vez mais adeptos a se unirem nessa causa divina. Como se a quantidade de pessoas encaminhadas à igreja fosse alargando as portas do céu pra ele ou ela. Vai garantindo seu espacinho ao lado de Deus, depois do dia que a barbárie o pegar de jeito, ou quando a morte, naturalmente, se alastrar em seu sangue, em seu corpo e deixar vazia de alma essa carcaça que carregamos. Todos iguais. Por dentro, somos todos iguais, com coração, pulmões, estômago e intestinos funcionando de forma igual (respeitadas as devidas singularidades. Singularidades que a natureza propõe, experimenta, como forma de povoar esse planeta com uma diversidade enorme de seres vivos, diferentes em cor, tamanho, tipo de alimentação e etc). Como nos canta Rita Lee, muito sabiamente, um dia depois, tudo vira bosta.

Não são possíveis mais narrativas porque a experiência humana às transborda. Uma narrativa não dá conta de toda barbárie que somos capazes de produzir. Acho que foi isso que o Benjamin quis dizer. E o nosso cotidiano anda tão saturado de eventos bárbaros, que nos anestesia. Mas eu não vim no mundo pra ser passiva, pensei cá com meus botões. E resolvi que escrevendo conseguiria transpor pro papel, pro ator, pro público, essa angústia que me invade todos os dias, todos os dias, quando no meio da rua ou dentro do ônibus ou na fila do metrô, quando todos os dias eu me deparo com a intolerância estampada na cara das pessoas, na fala das pessoas, nos gestos das pessoas. Mas não. O papel nunca é suficiente. O que eu escrevo nunca é suficiente pra expurgar a dor de ver (inclusive em pessoas que eu amo) esse ódio ao outro. Esse não suportar que o outro seja como ele quer ser, como ele escolhe ser, com seus defeitos e qualidades. E aí, me vem essa notícia sensacional: um senhor, pastor evangélico, declaradamente homofóbico e racista, irá assumir a presidência da comissão de direitos humanos. Vai ser agora responsável por propor medidas em relação às minorias e, antes mesmo de assumir seu lugar, anuncia que irá acabar com os privilégios conquistados pelos homossexuais nos últimos anos. (PRIVILÉGIOS???!!!) E o que pra muita gente é uma notícia corriqueira no facebook, me pega em cheio, me tira a fome, me joga na cama e remexe meu estômago e intestino. E aqui já nem me cabem mais as palavras para expor a esse cidadão e aos que compartilham de sua opinião, que homossexuais não tem quaisquer privilégio em nossa sociedade, pois nos faltam os direitos civis básicos. Ou, para falar a língua que os senhores preferem, nos falta o direito primeiro, primordial, nos falta o direito divino à vida. O seu preconceito e a sua intolerância mata mais do que o exército de Israel. O Brasil, que já não é mais o primeiro do mundo no futebol faz tempo, também faz tempo que não sai do primeiro lugar do mundo em extermínio de homossexuais. Extermínio sim. Porque são assassinatos direcionados. São tocais armadas, ciladas planejadas. Vocês, senhoras e senhores evangélicos intolerantes, estão exterminando seus filhos, sobrinhos, netos. Vocês, senhoras e senhores evangélicos intolerantes, estão incentivando o extermínio de meninos e meninas adolescentes, muitos antes mesmo de chegarem aos vinte anos. Não é bullyng, não é piadinha, não é hipocrisia, é ASSASSINATO. Essas pessoas tem pai, mãe, irmãos, filhos, sobrinhos. Essas pessoas nascem de vocês e o que elas carregam não é uma falha de caráter, não é uma má formação genética, é o seu sangue, é amar e esperar que em um país dito democrático, existam leis que assegurem a elas o direito de viver. Não precisamos esperar um outro holocausto ou a explosão de uma bomba atômica para que as narrativas não deem conta da nossa experiência. Ela já não dá. A minha narrativa não dá conta dos meus colegas mortos e violentados por serem quem eles são. A minha narrativa não dá conta do meu medo de ser a próxima vítima.

Camila Damasceno
Campinas, 01/03/13

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Guará

Era a bola rolando, o estádio lotando, a torcida cantando e a vida levando. Pra diante. Distante a cada dia e perto, cada vez mais perto daquela ideia distante e vaga de paraíso. E tem restaurantes e bares e grupos de teatro. E tem fruta brotando no quintal e os bichos soltos pela grama. Tem o galo do vizinho e as cinquenta maritacas que dão boa tarde todos os dias. E tem até parque pra caminhar e ver a lua cheia iluminar o lago como tocha enquanto as capivaras pastam logo ali. -É a família inteira, o pai, a mãe e os filhinhos. - E aquela média ali do lado? Deve ser a sogra. - E o som dos passos nos paralelepípedos e som da viola nos fundos, no domingo. E tem até shopping center perto do paraíso  com grandes livrarias e cinemas e teatros e boates e restaurantes e hamburguerias e sorveterias e docerias e móveis e roupas e tudo mais que se queira e se pode comprar num shopping. É a rede rangendo, a comida cheirando, o cachorro latindo, os livros se amontoando. A vitrola rodando, os dedos teclando, o incenso queimando. É a vida seguindo, cada vez mais perto, cada vez mais dentro,  cada vez mais calmo, cada vez menos angústias e ansiedades, ou ao menos, todas andando em outro ritmo. É esvaziar-se porque tem muita coisa melhor abrindo espaço pra entrar. Minha casa no campo, onde eu possa guardar meus amigos, meus discos e livros e nada mais.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Rumo aos 400

Os dez primeiros filmes do ano nos dez primeiros dias. 

Vou postar na sequência que for assistindo, tendo a meta de 400 até dia 31/12.

Com pequenos comentários sobre as sensações imediatas após assistir os filmes.

Segue a lista:

Set do filme PI, do diretor Darren Aronofsky
1-  Deus e o diabo na terra do sol – Super clássico do Glauber Rocha. Assisti em doses homeopáticas, porque precisei parar varias vezes pra fazer outras coisas. Sensacional. Algumas cenas são muito bonitas. Tive vontade de imprimir e emoldurar pelo menos umas três. Não vi tanta graça na cena clássica (a câmera rodando ao redor do casal). Achei que o filme tem outras melhores. Como a sequencia em que o profeta mata a criança.
2- O Hobbit – efeitos especiais legais e o primeiro da série Senhor dos Anéis em que não durmo no meio. – Valeu o ingresso.
3- Snatch - Porcos e Diamantes. – Divertido. E o Brad Pitt está ótimo. Os cruzamentos das histórias são bacanas, mesmo os mais forçados. Benício del Toro também está muito bom. Pena que aparece tão pouco. Valeu os R14,90 que paguei nele.
4- Preciosa - Pegaram pesado na desgraceira. Mas tem uma cena bonitinha da professora com a esposa. Gostei do tratamento com o casal gay. A atuação da Mo'Nique está sensacional.
5- Rashomon – Clássico do mestre Akira Kurosawa. Muito bom mesmo. Me disse Marco Antônio: “nunca vi um clássico ruim”. Segui e a dica e não me decepcionei.  
6- Pi – Talvez um dos melhores filmes que já vi. A direção é foda é o roteiro idem. Se fossem meia boca, não passaria de mais um filme com números e uma teoria da conspiração.
7- Questão de Honra – Tom Cruise e a eterna ex do Bruce Willis. Filminho sessão da tarde, cobertor e chocolate. Mais um endeusamento de advogados e suas retóricas.
8- Detona Ralf – Podia ser melhor. Talvez a única coisa mais bacana seja ver os vilões de jogos clássicos se movendo de outras formas e falando. Do mais, vem com uma moral da história fraquinha e forçada demais pros tempos atuais dos norte-americanos (presidente negro, guerras e crises).  
9- Uma família em apuros. – Acima da média pra um filme sessão da tarde. Vi no cinema e valeu o ingresso. Bom pra ver com a família. Ri demais.
10-  Oliver Twist – Mais um que apela nas desgraceiras. Baseado no livro homônimo, apresenta a velha ideia de que o que vem do campo é bom e puro e a cidade perverte o homem. Será? Do mais, as maquiagens e figurinos são muito bem feitos.

Nos próximos dez, espero já estar No, com o Gael Garcia e Django Livre, do Tarantino. Os dois que estou esperando mais pra assistir. 

domingo, 30 de dezembro de 2012

nata


uma cena de alguém cortando fora a tatoo com um estilete, minha avó num avião da FAB, meu avô entrando bêbado cantando boemia. era uma frase que eu me lembrei hoje de manhã e já me esqueci novamente. é alguma coisa com um longo começo sem falas, câmera fechada e o som do mar. é a sutileza de poucas palavras e histórias cruzadas em momentos banais. qualquer coisa com pássaros e gaiolas (gostei demais dessas metáforas) e um ambiente surrealista. tarantino, sudoeste e uma bela paisagem agreste. o mar. mais silencio que barulho. a música que é silêncio. o som do tunel. o tiro, o grito e o grito em expressão escrita. é algo sobre amizade e suportar essa dor imensa que corroi tudo enquanto buscamos enlouquecidamente os momentos para sorrir. é uma história de maquinista e de bondade e de coisas das quais somos capazes (sem precisar de momentos extremos e cruciais da vida). é sobre as pessoas que eu conheço e as historias que eu vi/ouvi por aí nesses últimos 28 anos.

no fim de tudo, é sobre o que eu nunca vou saber responder.


retrospectiva

e no meu sonho, ela era paz. negra, linda, cabelos longos escorrendo pelos ombros, olhos de mel, olhar de tranquilidade.

mais uma vez, eu não me lembro o que ouvi. mas se ouvi, está aqui dentro em algum lugar.

acordei e descobri que ela é mãe. que ela é mais paz do que guerra, que está mais perto do que longe.

acordei e descobri que são só meus os sentimentos que me acometem em sonhos.


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escrever nunca foi uma opção
misto de necessidade e impulso
única forma conhecida para expressar certas coisas

e é bem aí que eu encontro aquela velha dificuldade com algumas palavras faladas.

eu sei escrever.

e hoje eu sei disso.


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"seguro morreu de velho", diz meu pai.



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precisar se encontrar dentro de si mesma.

precisar conhecer ou reconhecer de si o que nunca foi tão claro.

o campo, o mar, a vida.

algumas coisas que sabemos podem se tornar insultos quando ditas.


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a violência da cidade é difundida por cada alminha que a habita.


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eu me a mim - sem egoísmos.

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acabou 2012 e o mundo ainda anda por aí.


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sabe o que não muda?
o conforto e sossego que eu encontro no seu cheiro.

talvez tenha ficado devendo mais declarações de amor.
mas ouvi esses dias, em algum filmeco-comedia-romântica-sessão-da-tarde, que quem precisa alarmar o amor que sente é porque não sente o amor que alarma.

eu te amo.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Pré-eleição


Vai e vem de urnas. A vida lá fora é tão mais interessante. Eu quero escrever um sonho. Me escrever dentro da pele do coelho. Eu nos olhos do Bartolomeu, ouvindo Morrison enquanto bebemos um vinho, fumamos cigarros e empesteamos o ambiente com incenso de benjoin para dissimular o cheiro da erva. Falar frases prontas e repetir versos antigos de poetas mortos, tão clichê quanto essa cena, essa sala, esse vinho nacional e esse vinil rodando só pra ouvirmos o chiado da agulha. Tão cafona quanto as roupas que usamos pra nos sentirmos mais atraentes. Tão patético quanto escrever em blog. A vida lá fora é tão mais interessante. E eu querendo escrever de dentro, de dentro dos olhos do Bartolomeu. Fugindo dos perigos da rua. Camuflando meu medo de polícia. Eu querendo escrever sem pensar, sem ler o que acabei de digitar. Exercício do português. Não sai.
É tudo inventado. Enquanto meu cachorro dorme sob meus pés.
Então vamos tentar novamente.
Eu tenho desistido de entender. Não há entendimento que dê conta. E as relações continuam nesse pé. Nesses sorrisos que se desfazem no ar quando viramos de costas.
Eu não me lembro.
Eu querendo que a música me embriague e que as horas passem bem, bem do jeito que costumam me agradar. Eu querendo de volta a madrugada. O silêncio do escuro no canto do quartinho vazio. Qualquer movimento fazia tremer. E as letras saiam quase que escorrendo por entre os dedos.
Agora eu sei do que se trata.
E não sei se sei fazer isso assim mais.
Strange days. Strange people.
O cheiro do café, o gosto da erva na boca.
Eu quero me.
De volta.
De um jeito que talvez nunca fui.
Eu sou o coelhão da loja de doces, te vendo passar pela calçada. Te vendo me olhar e sorrir. Te vendo voltar pra me buscar. Te vendo chegar com muitos amigos. Te vendo me jogar no fundo de uma caminhonete. Eu sou o coelhão da loja de doces que te vi apanhar na cara. Sou o coelhão que te viu apanhar na cara pra me devolver de onde me tirou. Eu te vi de dentro.
E o mundo te viu das câmeras de segurança que vigiam todas as ruas. Todos os passos. Até que digamos adeus.
Eu queria escrever um texto que viesse como uma música, como um blues tremendo de baixo pra cima. Segurando a frequência, segurando o ritmo que descarrega. Até a música acabar.
Eu de dentro dos olhos do Bartolomeu. Me negando a cheirar a bunda dos cãezinhos de madame que cruzam comigo no elevador. Correndo louco em direção ao sol. E deixar que essa luz me envolva. Em espiral. Um carrossel. As cenas que não se completam. Não é o início e não vai até o fim. E sempre volta pro mesmo lugar. E nunca está do mesmo jeito.
Eu sou quem te diz o que acontece. Mesmo sem cigarros, sem incensos, sem ervas e sem roupas. Só o Morrison continua aqui. Rodando sem o som da agulha.
Enquanto um doutor sei lá quem, muito entendido do cenário político nacional, dá pitacos sobre as intensões de votos que serão computados amanhã.  Empate técnico entre um ex-ministro do PT, um ex-ministro do PSDB e um representante da moral e dos bons costumes cristãos evangélicos que assolam o país desde a última depressão.
Que cidade é essa?!
Se as eleições cariocas fossem na capital paulista, o filho do Maia seria o campeão.
Enquanto isso, eu sou a mosca, que não pousa em sopa nenhuma.
Eu sou a mosca rondando na madrugada imunda, das cagadas que se fazem quando eleger seu candidato é precedente pra qualquer ato estúpido antiético.
Eu sou a mosca rondando a cabeça dos bêbados recolhidos da praça na véspera das eleições. Afinal de contas, bêbados também votam. E eu fiquei com os restos do que deixaram pra trás.
Mas ainda é meu esse teclado. E o controle remoto da TV. Troco do árabe reacionário pra banda de rock. Hoje é dia de rock, bebê.
Eu de dentro do coelhão, dos olhos do Bartolomeu, da mosca rondando em círculos.
Eu me procurando aí.
Sem erva, sem vinho, sem nada.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

O corpo sem desejo


Um filete de sangue escorre do meu ouvido direito.
Ele não vai parar
Minha cabeça pulsa num inchaço lancinante.
Ele não vai parar
Meus joelhos e pulsos parecem ceder, despedaçando meu corpo disforme.
Ele não vai parar
A figura esquálida que vejo na tela, através da fresta em que se abrem meus olhos, um dia foi a imagem de mim.
O meu algoz sorri.
Esse corpo que pende não sou mais eu.
O corpo sem desejo é o corpo torturado.
Descolado da alma.
Inerte.

(Texto de estímulo para o II Experimento G2- Módulo Azul - SPET - 2012)

sábado, 29 de setembro de 2012

Eu não sei dar títulos aos textos que escrevo


Ah, doutor, o que é isso?
Muito diagnostico e pouca eficácia.
A objetividade me cegou.
Não ouço mais vozes.
Não digo mais nada.
Não há o que dizer.
As palavras são

A dramaturga calou-se.

Acordei e era uma noite hip hop.
Gritavam comigo
“Qual é a dessa fala?”
E falavam de mim
“Qual é a dessa porra dessa fala?”
E em minha defesa, a ausência
É o jeito que eu falo?
São as minhas palavras
ou o meu ritmo?
“Qual é a dessa fala?”

Acordei e eram os dois, o casal
me olhando da parede
me encarando à distância de quem vive em países frios
me encarando à distância de quem vive durante  guerras
Qual é a dessa fala?

A dramaturga ficou sem palavras

Eu poderia sentar aqui e escrever sete páginas
sete páginas de coisas bonitas e profundas
sete páginas de sete blogs sobre sete formas de manifestações da potência
Eu poderia sentar aqui e escrever pra vocês sete vezes o que eu já escrevi na vida
Mas não.

A dramaturga ficou sem palavras

O quanto é potência um soco bem dado no auge da raiva
O quanto é potência um grito desesperado na hora do medo
O quanto potência um monte de palavras empilhadas
O quanto potência
O quanto eu
Mas não

A dramaturga ficou sem

Acabo de acordar e é a cara dele sem graça
A cara dele querendo um soco no auge da raiva
A cara dele fugindo do meu olhar
Acabo de acordar e talvez, mais uma vez
talvez eu me importe mais do que deveria

Eu poderia sentar agora e escrever sete páginas
Mas são duas

sábado, 15 de setembro de 2012

E, até que enfim, eu chorei

Talvez, escrever seja bem mais que isso, seja tudo isso e mais aquilo tudo que a gente aprende. Talvez, às vezes, escrever seja apenas jogar fora essa angústia. Esse ar comprimido no peito, esse engasgo.

Talvez.

Talvez, não conseguir dormir depois de ouvir um cometário racista ainda seja o que sobra de mim nessa cidade.

Nessa cidade que se diz tão desenvolvida, que se auto-rotula lugar de todo mundo.

Lugar onde todo mundo é sempre massa e indivíduo. Sempre mais um na fila do metrô, do cinema, do restaurante, da padaria, do supermercado, fila de carro no pedágio, de bicicleta na nova ciclofaixa. E sempre mais um mundinho fechado. Mais um umbigo.

Será que alguém se ama em SP?

Tenho esbarrado muita gente nesse último ano e meio. Tive boas conversas em botequins e deliciosos jantares em restaurantes japoneses, mas amor...

Vai ver, essa história de amor é coisa de mineiro mesmo.

E eu, carioca de nascença, me amineirei pelo caminho.

Faz parte do meu caminho passar por aqui. (E disso eu sempre soube. Como uma certeza daquela que não se sabe bem de onde vem.) Mas...

Mas é uma vida que me deixa sem palavras, justo no momento em que eu aprendo cada vez mais sobre elas.

É uma vida que me deixa em pausas, enormes, respirando fundo pra resistir ao último olhar de preconceito, ao último comentário racista, a última demonstração de desprezo. Desespero. Por ar.

O meu falta a cada cinco minutos.

Eu pulo as linhas.

Talvez

Talvez, eu me importe mesmo é com respirar fundo. E sentir cheiro de vida. E não de cano de descarga.

E aí, meus braços e colos, que andam agora espalhados pelo mundo, me deixam sempre assim. Com essa nostalgia precoce.

E aí, olhar pro lado e ver o desespero no lugar do sorriso que me encanta. Ver angústia no lugar em que havia calma e tranquilidade, me faça respirar mais uma vez.





Amor, hoje, sou eu que não dou conta.

Amor, hoje, sou eu que quero pedir: "me tira daqui".

Porque o tempo que eu consigo prender a respiração nunca supera dois anos.

E já passou da hora da gente ser feliz.





terça-feira, 10 de julho de 2012

hipocrisias




Mania besta essa das pessoas não assumirem suas próprias pretensões.

Despretensiosos ficam em casa, não mudam a rotina, não cortam o cabelo em outro lugar.

Sem pretensão não há trabalho artístico. Sem pretensão eu escreveria pra mostrar pra minha mãe.

Minha mãe nunca leu uma linha do que eu escrevo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

muda o ângulo

Baby, esse papo de gente invejosa já tá pra lá de chato. Vira a página, muda o disco e não dá tanto ibope. Se protege, se fecha, se fortalece e segue. Tanta coisa maior sem te derrubar até aqui. E tá logo ali, tá vendo? Tá logo ali na frente o que você tá indo atrás esse tempo todo. Falta uma esquina ou duas. Falta trocar a marcha no próximo sinal. Ela tá lá paradinha te esperando. Porque enfim você entendeu que ela não vai cair do céu. Ela não vem na sua direção. Mas ela esteve sempre ali. Logo ali. E a distância se preenche com trabalho. Morou? Faz o seu e vai embora. Deixa essa galera se esgoelando por aí, porque depois da próxima esquina, depois do próximo farol, a gente chega lá em cima, baby! E de lá, a gente manda um beijo. Um beijo na testa.

Sabe a carinha de dó do Sonnen? Agora muda o ângulo e vê a cara do Anderson. 
É preciso calma pra finalizar bem.

Um beijo e um queijo.



segunda-feira, 4 de junho de 2012

É um sei lá o quê que vem do estômago e teima em sair pela boca


ansiedade

Significado de Ansiedade

s.f. Angústia, aflição, grande inquietude.
Desejo veemente, impaciência, sofreguidão, avidez.
Medicina Estado psíquico acompanhado de excitação ou de inibição, que comporta uma sensação de constrição da garganta.

Sinônimos de Ansiedade

Sinônimo de ansiedade: anseioânsiadesesperoestertorimpaciência,sofreguidão e vasca

Definição de Ansiedade

Classe gramatical de ansiedade: Substantivo feminino
Separação das sílabas de ansiedade: an-si-e-da-de
Plural de ansiedade: antiansiedadesansiedades

Frases com a palavra ansiedade

Um pedaço de pão comido em paz é melhor do que um banquete comido comansiedade.
-- Esopo
ansiedade e o medo envenenam o corpo e o espírito.
-- George Bernard Shaw
Fonte: pensador.info

Exemplos com a palavra ansiedade na imprensa

Eles adoram café, chá, vinho e cervejas obscuras. São politicamente corretos, odeiam grandes corporações --mas mal conseguem aguentar de ansiedade quando um novo produto da Apple é lançado. Seguem alimentação vegetariana e adoram ir a brunchs aos sábados. Folha de São Paulo, 27/06/2009
A psicoterapia interpessoal de grupo melhorou em 50% sintomas como depressão eansiedade e em 80% a qualidade de vida de pacientes com transtorno do estresse pós-traumático. Folha de São Paulo, 29/06/2009

Outras informações sobre a palavra Ansiedade

Possui 9 letrasPossui as vogais: a e iPossui as consoantes: d n sA palavra Ansiedade escrita ao contrário: edadeisna

Rimas com ansiedade

  • utilidade
  • divindade
  • saciedade
  • frialdade
  • humildade
  • obesidade
  • igualdade
  • realidade
  • suavidade
  • crueldade
  • fatuidade
  • densidade
  • sociedade
  • claridade
  • brevidade
  • atividade
  • falsidade
  • santidade

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Gormley


                                                                                                              










Antony Gormley - Critical Mass

O que te pega pelo estômago?

Antony Gormley

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Drummond / Magritte

Não há guarda-chuva
contra o poema
subindo de regiões onde tudo é surpresa
como uma flor mesmo num canteiro.

Não há guarda-chuva
contra o amor
que mastiga e cospe como qualquer boca,
que tritura como um desastre.

Não há guarda-chuva
contra o tédio:
o tédio das quatro paredes, das quatro
estações, dos quatro pontos cardeais.

Não há guarda-chuva
contra o mundo
cada dia devorado nos jornais
sob as espécies de papel e tinta.

Não há guarda-chuva
contra o tempo,
rio fluindo sob a casa, correnteza
carregando os dias, os cabelos.
 
                                          
                                João cabral de Melo Neto