quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ela

Mas que hora é essa? Quando a gente sabe que chegou? Ela chega? Alguma hora? Chega? A que horas? Eu não sei onde ela está, como ela está, quando ela está, onde ela se esconde. Eu não sei. Eu acredito nisso. Eu sempre acreditei. E eu sei que ela chega, uma hora. Essa hora em que um presságio, uma alucinação, um sei lá o que acontece. Vem como quem não quer nada, aparece de uma coisa boçal, dessas que você está acostumado a esbarra todos os dias. Ela não é genial. Ninguém acha genial, não assim, não de início e é ela. É ela que chega desse jeito aí que a gente não sabe bem como é. Eu não sei bem como é. Ela chega. Esse não sei o que que chega não sei de onde. E ela muda. Muda tudo. Muda a vida. Dá um outro sentido. Cadê? Eu preciso que ela chegue, você entende? Porque essa ansiedade de esperar ela chegar e me atentar a qualquer coisinhas que possa ser um sinal, um sinal de que ela está se aproximando, essa ideia fixa de estar sempre atento porque ela pode aparecer a qualquer momento, isso me mata. Me mata aos poucos. Me mata mais ainda porque eu sei que ela só chega se eu me distrair. Se eu não vir que ela está chegando. Mas aí, eu fico assim, nessa ansiedade, nesse movimento de vulcão prestes a explodir de felicidade quando perceber que ela está bem aqui, chegando, dentro, fundo, alcançando aquele lugar onde ela deve ficar para dar certo. E eu espero. Eu espero esse dia, esse momento, esse homem mascando chicletes. Eu espero isso há tanto tempo... Desde que eu me lembro que eu penso, eu espero. Espero. Sabendo que tenho que esperar distraído, sabendo que tenho que estar olhando para o outro lado, para que ela não se sinta acuada, para que ela fique a vontade para se aproximar. Ela vem, eu imagino ela vindo. Num sopro, leve, na brisa, na beira do mar ou no meio do mar de gente na fila do metrô na Sé, às seis horas da tarde. Eu sei que ela vem. Eu sei, eu tenho certeza, que um dia ela vai chegar e mudar tudo. E mudar a minha vida. Eu sei disso, como uma certeza infantil. Eu me lembro de esperar por ela desde a infância. Ela, ela chega, um dia, um dia ela chega. Mas é isso que me mata. Saber, com essa certeza toda que ela vai chegar e que eu não consigo me acalmar para esperar, para estar distraído o suficiente para que ela se sinta a vontade. Então, é como se eu soubesse que ela está ali, na próxima esquina, esperando ouvir o meu assobio, para me tomar de mim. Mas é aí, nesse ponto, saber que ela está logo ali, na próxima esquina, me esperando, que me deixa tão ansioso que me faz ficar atento. E ela vai embora. Espera um outro momento. E eu faço charme e finjo que não estava nem aí, nem te vi, nem tô esperando você, nem nada, nem ninguém. Mas não adianta. Ela sente meu cheiro de animal angustiado, ansioso, a adrenalina correndo no meu sangue. Ela ouve de longe o pulsar das minhas veias. E vai. Para onde? Para onde você foi ideia genial?!

3 comentários:

Teen Dreams disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
peron disse...

genial.

Allana T. disse...

ooowwww fantastico seu blog..... eu tb tenhu um... http://allanatlarsen.blogspot.com/

escelente texto :D